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Ghislaine Maxwell: a "chave" do esquema de tráfico sexual de Epstein

Ghislaine Maxwell: a "chave" do esquema de tráfico sexual de Epstein

Ghislaine Maxwell, ex-namorada do milionário norte-americano Jeffrey Epstein, foi condenada a 20 anos de prisão por ter ajudado o antigo financeiro a aliciar menores adolescentes para serem abusadas sexualmente.

A sentença foi o culminar de uma acusação que detalhou que Maxwell e Epstein ostentavam riquezas e ligações com pessoas muito importantes, com o intuito de preparar jovens vulneráveis para a vida sexual e depois explorá-las. Os crimes ocorreram entre 1999 e 2004, período em que o casal convivia com algumas das pessoas mais famosas do Mundo, incluindo os ex-presidentes norte-americanos Bill Clinton e Donald Trump, o príncipe britânico André e o fundador da Microsoft, Bill Gates.

Os procuradores provaram que Maxwell era "a chave" para o esquema de Epstein de atrair jovens para lhe fazer massagens, durante as quais as abusaria sexualmente.

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Jeffrey Epstein foi encontrado morto na prisão, em 2019, enquanto aguardava julgamento. Ghislaine Maxwell negou ser cúmplice do antigo namorado, pediu desculpa à juíza, mas a "conduta hedionda" que exibiu ditou uma sentença de 20 anos de prisão.

Em dezembro, Maxwell já tinha sido declarada culpada de cinco das seis acusações, relacionadas com a exploração sexual de jovens.

Angariava jovens para abusos de Epstein

Durante o julgamento, uma testemunha contou como Maxwell se aproximou dela, quando tinha 17 anos, se tornou amiga e a pressionou várias vezes para a "diversão". Sob o pseudónimo Kate, a britânica disse que conheceu Maxwell em Paris, por volta de 1994. E confessou que ficou automaticamente cativada pela elegância e sofisticação de Maxwell. "Ela era impressionante... tudo aquilo que eu gostava de ser". Maxwell falou-lhe da faceta filantrópica do seu namorado, em como ele gostava de ajudar jovens, numa altura em que Kate estava a iniciar uma carreira musical e estava entusiasmada com "a nova amiga".

Em poucas semanas conheceu Epstein e - a pedido de Maxwell - estava a fazer massagens ao magnata, que terminavam em sexo. Maxwell elogiava as suas mãos fortes, dizia que ela era "uma boa rapariga" e perguntava se ela se estava a "divertir".

Revelou ainda que, um dia, numa casa em Londres, Maxwell lhe deixou um uniforme escolar no quarto de hóspedes e lhe disse: "achei que seria giro ires levar o chá do Jeffrey com este figurino." Acrescentou que vestiu a roupa e que o magnata norte-americano fez sexo com ela.

Kate referiu que Maxwell dirigia várias vezes as conversas para tópicos sexuais e que descrevia Epstein como um homem "exigente" que precisava de ter sexo três vezes por dia. Neste contexto, perguntou a Kate se conhecia alguém que pudesse fazer sexo com ele "porque era demais para ela também".

Figuras públicas envolvidas nos casos

Várias figuras públicas foram ligadas ao milionário, incluindo Bill Gates que, disse, recentemente, que os encontros com Jeffrey Epstein aconteceram com o objetivo de angariar mais fundos para combater problemas de saúde globais, no âmbito da Fundação Bill e Melinda Gates. "Tive vários jantares com ele, esperando que o que ele disse sobre conseguir milhões para a filantropia da saúde global através dos seus contactos pudesse acontecer", justifica. "Quando percebi que isso não era real, o relacionamento acabou", garante.

Questionado pelo "Wall Street Journal", Bill Gates recusou esclarecer se a sua relação com Epstein esteve na base do divórcio com Melinda, após 27 anos de casamento.

Os crimes provocaram escândalo até no seio da família real britânica, com o filho da Rainha Isabel II, o príncipe André, a ser acusado de ter forçado uma menor de idade a ter relações sexuais sem consentimento, sabendo que ela "era uma vítima de tráfico sexual".

Virginia Giuffre acusou Epstein de ter promovido encontros sexuais entre si e vários homens ricos e influentes, incluindo o príncipe inglês. O processo alega que André abusou sexualmente de Virginia na casa em Londres de Ghislaine Maxwell, namorada de Epstein. A ação acusa ainda o filho de Isabel II de abusar daquela jovem na mansão de Epstein no Upper East Side, em Manhattan, e numa ilha particular que o mesmo tinha nas Ilhas Virgens Americanas.

O príncipe André disse numa entrevista à BBC, em 2019, que não conhecia Virginia Giuffre e que nunca tinha tido relações sexuais com ela. No entanto, uma foto da alegada vítima com o monarca prova o contrário.

As duas partes chegaram a acordo este ano e o processo foi arquivado em maio, mas não sem antes ferir a reputação do monarca, que teve de devolver os títulos militares e reais à Rainha de Inglaterra e foi impedido de estar na varanda do Palácio de Buckingham durante os festejos do Jubileu de Isabel II.

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