Escândalo sexual

Ghislaine Maxwell angariava jovens para abusos de Epstein

Ghislaine Maxwell angariava jovens para abusos de Epstein

Ghislaine Maxwell angariava jovens e familiarizava-as com a sexualidade para entregá-las aos abusos do amigo Jeffrey Epstein.

A verdade era "quase indizível". Ghislaine calou-a. Terá sido por isso. Ou não. A prisão da herdeira do antigo magnata da imprensa britânica Robert Maxwell, acusada de angariar raparigas para satisfazer os desejos sexuais do amigo e ex-amante milionário norte-americano Jeffrey Epstein veio acompanhada da descrição dos factos que lhe são imputados. É "indizíveis", disseram os procuradores que anteontem anunciaram a detenção, em Nova Iorque.

Ghislaine Maxwell era a favorita do pai, fundador do grupo Mirror, ao contrário dos irmãos. Mas a sina familiar é a mesma. Robert morreu num inexplicado acidente: foi encontrado morto, a boiar ao largo das Canárias. Terá caído do iate a que dera o nome da filha. Aos herdeiros deixou um império falido e manchado por desvios de fundos de pensão, pelo qual responderam Ian e Kevin. Acabariam absolvidos de conspiração para fraude.

A sorte de Ghislaine pode não ser idêntica. E, por arrasto, a do amigo de longa data André, príncipe filho da Rainha Isabel II. Foi ela que apresentou André a Epstein e o resto da história faz-se de jovens a acusar a figura real de abuso sexual em casa de Ghislaine, na presença de Epstein.

Preparava jovens para o abuso

"Maxwell desempenhou um papel fundamental na ajuda a Epstein para identificar, fazer amizade e preparar menores vítimas de abuso" para Epstein. "Nalguns casos, Maxwell participou no abuso. Montou a armadilha. Fazia-se passar por uma mulher em quem podiam confiar enquanto as preparava para que Epstein pudesse abusar delas." A descrição é da procuradora nova-iorquina Audrey Strauss e consta da acusação.

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Aproximava-se das jovens - a mais nova tinha 14 anos à altura dos factos -, mostrava curiosidade em relação às jovens, com perguntas sobre a vida, a família, a escola. Encantava-as, por vezes indo às compras ou ao cinema com ela e com Epstein. Feita a amizade, competia-lhe "normalizar o abuso". Falava de sexo, despia-se à frente delas, via-as despir-se. Até pedir-lhes que fizessem massagens ao amigo. Acabariam em sexo, com Ghislaine a assistir, muitas vezes, a participar, até.

As acusações a Epstein, a partir de denúncias de vítimas levaram à prisão do gestor de fundos. Havia relatos de abusos nas várias mansões que possuía, em Nova Iorque, na Florida, no Novo México, em Santa Fé, ou em casa de Ghislaine, em Londres. E o deboche era usado para animar amigos e potenciais parceiros de negócios. Entre eles, André, que nega terminantemente. Daria para uma pena de 45 anos. Epstein não esperou: enforcou-se na cela. Às vítimas resta a condenação de Ghislaine.

Desaparecida desde a prisão de Epstein, em julho do ano passado, foi descoberta em Bradford, no New Hampshire, numa propriedade milionária comprada a pronto sob identidade anónima. O facto de ter passaporte britânico, norte-americano e francês (nasceu em França há 58 anos) e de multiplicar contactos e riqueza representava, para a investigação, risco de fuga. Até porque pode esperá-la uma pena interminável.

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