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Google Maps acusado de direcionar caminhantes para rotas "potencialmente fatais"

Google Maps acusado de direcionar caminhantes para rotas "potencialmente fatais"

Google Maps é acusado de direcionar montinhistas, que querem chegar ao ponto mais alto do Reino Unido e a outros pontos de elevada latitude da região, por caminhos que podem ser "potencialmente fatais".

De acordo com duas organizações de montanhismo da Escócia, "dependendo de como alguém pesquisa a rota [de Ben Nevis], o Google Maps pode direcioná-lo para o lugar mais próximo do cume da montanha em linha reta, indicando uma rota descrita por especialistas como 'altamente perigosa, mesmo para montanhistas experientes'".

A montanha Ben Nevis fica na Escócia e é o ponto mais alto do Reino Unido, com 1345 metros. Atualmente é um destino turístico muito popular, recebendo milhares de pessoas anualmente, porém ainda neste ano foram registadas algumas mortes na montanha.

Nathan Berrie, responsável pela conservação da montanha da organização John Muir Trust, refere que o "Google Maps direciona alguns visitantes para o estacionamento de Upper Falls, provavelmente porque é o lugar mais próximo do cume da montanha, mas este não é o caminho certo e muitas vezes deparamo-nos com grupos de caminhantes inexperientes a ir para Steall Falls ou a subir as encostas do lado sul de Ben Nevis, acreditando que é o caminho para chegar ao topo".

Também Heather Morning, consultora de segurança em montanhas da organização Mountaineering Scotland, aponta que "para aqueles que são novos em caminhadas nas montanhas parece perfeitamente lógico verificar o Google Maps para obter informações de como chegar ao ponto escolhido, mas quando é inserido Ben Nevis aparece uma rota que o direciona para o estacionamento de Glen Nevis".

O que significa que "até mesmo o montanhista mais experiente teria dificuldade em seguir essa rota, pois o caminho passa por terrenos muito íngremes, rochosos e mesmo com uma boa visibilidade seria difícil encontrar uma linha segura, o que torna a rota sugerida pela Google potencialmente fatal", referiu a consultora de segurança em montanhas.

A colaboradora da organização Mountaineering Scotland acrescentou que o Google Maps também direciona os visitantes por rotas que podem colocar os caminhantes em risco de vida, quando procuram por outros pontos elevados da região, como a montanha de An Teallach de 1 062 metros. "Para An Teallach no noroeste, uma rota 'a pé' foi inserida no Google Maps e essa rota leva as pessoas até um penhasco", referiu.

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As organizações de montanhismo da Escócia, John Muir Trust e Mountaineering Scotland, pretendem que a Google remova quaisquer rotas com "risco de vida". À emissora norte-americana CNN, um porta-voz da Google referiu que construíram o "Google Maps a pensar na segurança e na confiabilidade" e que estão a "trabalhar rapidamente para investigar o problema da rota de Ben Nevis e áreas vizinhas".

O porta-voz da Google acrescentou que "além de usarem dados confiáveis e imagens de alta definição para atualizar o mapa" e pedem "as organizações locais para fornecer informações geográficas sobre estradas e rotas por meio da ferramenta de upload de dados geográficos da Google".

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