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Governador de São Paulo diz que vai rever protocolos após morte de nove jovens

Governador de São Paulo diz que vai rever protocolos após morte de nove jovens

O governador do estado brasileiro de São Paulo, João Doria, recuou na sua retórica e afirmou hoje que vai rever os protocolos da Polícia Militar, após nove jovens morrerem esmagados, na madrugada de domingo, durante uma intervenção policial.

"O secretário da Segurança Pública [de São Paulo] já foi orientado a rever protocolos e identificar procedimentos que possam melhorar e inibir, senão acabar, com qualquer perspetiva da utilização de violência e de uso desproporcional de força em qualquer acontecimento neste estado", declarou Doria, citado pela imprensa local.

Nove jovens, com idades entre os 14 e 23 anos, perderam a vida, esmagados, na madrugada de domingo durante uma intervenção policial na favela de Paraisópolis, em São Paulo, o que tem levado a vários protestos no país.

A intervenção aconteceu durante uma festa de 'funk', realizada numa das maiores favelas da região de São Paulo, onde vivem mais de 55.000 pessoas.

Segundo o boletim de ocorrência da polícia, os agentes estavam a perseguir duas pessoas que se deslocavam de motorizada em Paraisópolis, quando estes dispararam contra a polícia e fugiram para o meio da festa, onde se encontravam mais de 5.000 pessoas.

A polícia chamou, de imediato, reforços e entrou no local quando as pessoas estavam a dançar.

De acordo com a versão das autoridades, os agentes da polícia foram recebidos com pedras e garrafas, pelo que as equipas da Força Tática da Polícia Militar (PM) usaram "munições químicas" para "dispersar e [conseguir manter] a segurança dos agentes", como consta de um relatório oficial ao qual a agência de notícias espanhola Efe teve acesso.

Contudo, a organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW) indicou que num vídeo gravado por moradores é possível ver polícias a "encurralar dezenas de pessoas" numa viela e a bater-lhes com cassetetes, sem que as vítimas ofereçam resistência.

Numa conferência de imprensa realizada na segunda-feira, João Dória, negou que as nove mortes tenham sido provocadas pela ação da Polícia Militar.

"A letalidade não foi provocada pela PM, e sim por bandidos que invadiram a área onde estava a acontecer o baile 'funk'. É preciso ter muito cuidado para não inverter o processo", declarou o Governador.

Porém, Dória recuou hoje nas declarações em defesa da Polícia, afirmando que casos de violência desproporcional praticada pelos agentes devem ser punidos.

"É uma circunstância inaceitável que a melhor polícia do Brasil utilize de violência ou de força desproporcional, sobretudo quando não não há nenhuma reação de agressão", frisou o governador.

A reação do governador de São Paulo surge ainda no seguimento da divulgação de imagens de vídeo que mostram agentes policiais a agredirem com um bastão pessoas que saíam de uma festa, inclusive um jovem de muletas.

Doria manifestou-se "muito chocado" com as imagens.

Em declarações à imprensa brasileira, o político anunciou que entra hoje em funcionamento naquele estado um sistema de aeronave não tripulada (drone), com 145 unidades, que serão usados em operações, ações e fiscalizações.

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