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Governo bielorrusso acusado de usar migrantes para "atacar fronteira da UE"

Governo bielorrusso acusado de usar migrantes para "atacar fronteira da UE"

O Governo da Bielorrússia utilizou os migrantes para "atacar a fronteira da União Europeia", fornecendo-lhes machados e instigando-os a lançar pedras sobre os guardas polacos, segundo uma reportagem da televisão pública lituana LRT divulgada esta quarta-feira.

Em novembro passado, muitas centenas de migrantes dirigiram-se em massa para a fronteira da Bielorrússia com a Polónia. Apesar de sugerir uma ação auto-organizada, a investigação da LRT, que inclui diversos testemunhos, afirma ter detetado os principais responsáveis que coordenaram o processo, com o envolvimento do Governo bielorrusso.

O documentário assinala que responsáveis oficiais bielorrussos forneceram aos migrantes machados, alicates para cortar arame farpado e outro equipamento. Indica ainda que diversas imagens revelam que responsáveis bielorrussos se encontravam entre as centenas de migrantes, na maioria curdos, enquanto um organizador e coordenador da ação na fronteira assegurou que instigaram um ataque em massa na fronteira polaca na noite de 13 para 14 de novembro e que foram fornecidas aos migrantes proteções para gás lacrimogéneo e máscaras.

A LRT também refere que responsáveis oficiais bielorrussos mantiveram contacto direto com pelo menos cinco migrantes, com o objetivo de os coagir a atacar as barreiras de arame farpado instaladas na fronteira. O plano não resultou pelo facto de os requerentes de asilo temerem pelas suas vidas e das suas famílias.

A cadeia televisiva lituana precisa que as pessoas que se afirmaram como líderes e organizadores dos migrantes curdos na Bielorrússia eram ativistas com ligações a um dos maiores movimentos de oposição no Curdistão iraquiano.

A LRT assinala ter contactado no início de dezembro um curdo iraquiano, apresentado como Ghalib, quando permanecia no centro logístico bielorrusso perto do posto fronteiriço de Bruzgi, junto à fronteira polaca. Este curdo apresentou-se com um dos organizadores do apoio aos migrantes em situação irregular que pretendiam atravessar a fronteira e garantiu ser "o elo de ligação" entre os migrantes e responsáveis oficiais bielorrussos.

Previamente, Ghalib terá contactado com o Gorran, o maior movimento da oposição no Curdistão iraquiano. Revelou ainda que a sua partida para a Bielorrússia foi coordenada com políticos locais, membros do Gorran, sendo transportado por um político curdo até ao aeroporto de Bagdad.

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Na primavera passada, o regime bielorrusso flexibilizou os procedimentos de vistos para os detentores de passaportes iraquianos, quando as informações sobre uma nova rota para a Europa começaram a ser divulgadas pelos meios de comunicação curdos, indicou Mera Bakr, outro migrante citado pela LRT.

A deterioração da situação política no Curdistão terá sido explorada pelas forças da oposição, uma das quais controlaria o grupo mediático NRT.

Este meios de comunicação dedicou particular atenção à questão da migração e à situação na fronteira polaca, com as pessoas entrevistadas a referirem que os problemas internos no Curdistão iraquiano foram a causa para a partida destas centenas de pessoas em direção à fronteira polaca, através do território bielorrusso.

No auge da crise, a Polónia e a União Europeia (UE) acusaram o regime bielorrusso e o Presidente Alexander Lukashenko de "instrumentalização de migrantes", ao incentivarem milhares de pessoas a dirigirem-se para as fronteiras com a União, em particular a polaca, após a atribuição de "vistos turísticos" e promessas de uma entrada fácil em território comunitário.

Centenas destes migrantes permaneceram durante meses acampados naquela região e pelo menos 14 morreram de hipotermia devido às condições precárias em que viviam.

O Governo polaco considerou esta crise na fronteira uma "guerra híbrida" lançada por Minsk para "destabilizar a UE" e aprovou a construção de um muro fronteiriço com um custo superior a 300 milhões de euros.

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