Boris Johnson

Governo britânico diz ter cumprido promessas eleitorais de concretizar Brexit

Governo britânico diz ter cumprido promessas eleitorais de concretizar Brexit

O governo britânico reivindicou esta quinta-feira ter cumprido as promessas eleitorais de concretizar o Brexit ao negociar um acordo de comércio com a União Europeia (UE) que garante um prolongamento da relacionamento económico sem quotas nem tarifas aduaneiras.

"O acordo é uma notícia fantástica para famílias e empresas em todas as partes do Reino Unido", refere um comunicado, emitido antes de uma conferência de imprensa esperada do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

Londres congratula-se com um "grande acordo" obtido "em tempo recorde e sob condições extremamente difíceis".

Nos últimos dias, Johnson e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen envolveram-se diretamente nas negociações, falando por telefone várias vezes para tentar desbloquear o processo que se arrasta há vários meses, afetados pela pandemia covid-19 e pelas visões opostas dos dois lados sobre o que envolve o 'Brexit'.

Rumores de um acordo comercial antes do Natal surgiram nos últimos dias com base no progresso nas principais questões pendentes: concorrência, resolução de disputas futuras e pesca.

Negociadores da UE e do Reino Unido trabalharam durante a noite e até à véspera de Natal para dar os retoques finais num acordo comercial destinado a evitar uma rotura caótica entre os dois lados no dia de Ano Novo.

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Depois de resolver questões pendentes sobre concorrência justa e quase todas as divergências sobre pescas na quarta-feira, os negociadores vasculharam centenas de páginas de textos jurídicos vão definir o relacionamento pós-Brexit entre britânicos e os 27.

Como durante grande parte das negociações ao longo de nove meses, a questão das frotas pesqueiras da UE em águas britânicas provou ser a mais complicada, forçando os negociadores a discutir quotas para algumas espécies até ao amanhecer.

A moeda britânica, a libra esterlina, valorizou esta manhã devido às expectativas de um acordo perante um acordo para evitar barreiras ao comércio entre o Reino Unido e a UE, que movimenta anualmente 668 mil milhões de libras (743 mil milhões de euros).

Mesmo com um acordo, a partir de 1 de janeiro vão passar a ser feitos controlos alfandegários e exigida burocracia adicional porque o Reino Unido passa a ser um país terceiro e deixa de ser membro do mercado único do bloco e da união aduaneira.

Um acordo comercial apenas evita a imposição de taxas aduaneiras que poderiam custar aos dois lados muitos milhões em comércio e centenas de milhares de empregos e passarem a aplicar as condições da Organização Mundial do Comércio.

O próprio governo britânico reconheceu que uma ausência de acordo resultaria em atrasos na circulação de mercadorias nos portos para a UE, escassez temporária de alguns produtos e aumento de preços de alimentos básicos, além de tarifas de 10% sobre exportações de automóveis e 40% na carne de borrego.

O texto do acordo, que terá mais de 2000 páginas, terá agora de ser aprovado pelo parlamento britânico, num processo encurtado e acelerado entre o Natal e o Ano Novo.

Além dos eurocéticos do próprio Partido Conservador, ciosos das garantias de soberania oferecidas pelo documento, Boris Johnson vai ter de convencer a oposição, nomeadamente o Partido Trabalhista, que terá de decidir se aprova ou não um acordo, mesmo se for considerado insatisfatório.

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