Covid-19

Governo britânico resiste a confinamento nacional e insiste em abordagem localizada

Governo britânico resiste a confinamento nacional e insiste em abordagem localizada

O Governo britânico insistiu esta quinta-feira que um segundo confinamento nacional não é a abordagem certa para lidar com a segunda vaga na pandemia da covid-19 no Reino Unido, ao contrário do que estão a fazer outros países europeus.

Um dia depois que França e Alemanha anunciarem novas medidas a nível nacional para conter surtos de novas infeções, hospitalizações e mortes, o ministro das Comunidades britânico, Robert Jenrick, reiterou a determinação em manter a abordagem a nível local.

"Não queremos um segundo confinamento nacional. Sabemos que tem algum efeito em conter o vírus, mas também sabemos que tem um impacto enorme em outros aspetos da vida como nos meios de subsistência das pessoas e na saúde e bem-estar em geral, por isso vamos fazer tudo o que pudermos para evitar essa situação", disse esta quinta-feira à estação Sky News.

Jenrick disse que o Governo vai continuar com a "abordagem local e dimensionada tomando medidas onde o vírus está mais forte".

O Governo de Boris Johnson desenvolveu um sistema de três níveis de restrições aplicadas regionalmente de acordo com a prevalência do vírus apenas em Inglaterra, já que Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte determinam as suas próprias regras em matéria de saúde.

Porém, os resultados mais recentes de um estudo contínuo sobre a prevalência do coronavírus em Inglaterra publicados hoje sugerem que o aumento das infeções não está apenas limitado ao norte de Inglaterra, como tem acontecido nas últimas semanas.

O estudo, feito com base numa amostra de mais de 85.000 pessoas selecionadas aleatoriamente na Inglaterra no final de outubro, aponta para cerca de 96 mil novos casos de contágio todos os dias.

Apesar de a taxa de infeção ser maior entre o grupo etário de 18 e 24 anos, menos suscetíveis a desenvolver complicações, o número de casos mais do que triplicou entre as pessoas com idades entre 55-64 anos.

Um dos líderes do estudo, Paul Elliott, da universidade Imperial School of London, admitiu que é "preocupante" este aumento da prevalência da doença a nível nacional, que vai provocar mais hospitalizações e mortes.

"Também estamos a detetar sinais precoces de que áreas que anteriormente apresentavam baixas taxas de infecção estão a seguir as tendências observadas nas áreas mais afetadas do país", vincou.

Com 45.675 óbitos registados oficialmente, o Reino Unido é o país europeu com o maior número de mortes de covid-19 e o quinto a nível mundial, atrás dos EUA, Brasil, Índia e México.

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