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Governo dos EUA admite que congressistas terão sido escutados

Governo dos EUA admite que congressistas terão sido escutados

O secretário-adjunto da Justiça dos EUA, James Cole, admitiu esta terça-feira que os dados das comunicações telefónicas dos congressistas norte-americanos podem ter sido registados pelos serviços de informações, mas recusou dizer se as chamadas do presidente também foram espiadas.

O governante falava durante uma audição na comissão de Justiça da Câmara dos Representantes, consagrada à controvérsia que afeta o programa de espionagem da Agência de Segurança nacional (NSA, na sigla em inglês), desde que o ex-consultor da instituição, Edward Snowden, revelou a dimensão das escutas.

Quando o eleito republicano Darrel Issa lhe perguntou se os números de telefone dos gabinetes da Câmara dos Representantes tinham sido submetidos a uma recolha de dados (números marcados, duração e data das chamadas), Cole respondeu: "Sem dar pormenores, sim, provavelmente, nós fazemo-lo."

Issa perguntou depois se as chamadas do presidente dos EUA, Barack Obama, também eram controladas, a que Cole recusou responder na ocasião, prometendo uma resposta posterior. O congressista insistiu no interesse da sua questão, uma vez que Obama telefona para a chanceler alemã, Angela Merkel. Esta tinha criticado a espionagem norte-americana, depois de ter sabido que o seu próprio telemóvel estava sob escuta.

Esta noite soube-se que a NSA também espiou o antecessor de Merkel na chefia do governo, o social-democrata Gerhard Schroder. A revelação foi feita na estação de televisão pública NDR, que divulgou uma investigação conjunta com o diário Suddeutsche Zeitung.

Schroder, chanceler de 1998 a 2005, foi espiado pela NSA pelo menos desde 2002, no início do seu segundo mandato e quando se opunha à intervenção da Alemanha no Iraque.

Barack Obama prometeu, em 17 de janeiro, uma reforma do programa de espionagem, anunciando mudanças na armazenagem dos milhares de milhões de metadados telefónicos obtidos.

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Bob Goodlatte, que preside à comissão na qual Cole depôs, preveniu que "a transferência da armazenagem para as empresas privadas poderia levantar mais questões sobre a proteção da vida privada do que resolvê-las".

O eleito James Sensenbrenner, um dos autores da lei antiterrorista votada depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, declarou-se chocado com a invocação da secção 215 da Lei sobre a Vigilância e as Informações (FISA, na sigla em inglês) para justificar esta vasta operação de recolha de meta-dados.

A secção 215 "expira" em junho de 2015, mas Sensenbrenner avisou já que, "se não houver alterações", o Governo não vai ter os votos necessários no Congresso para a renovar, o que significa o bloqueio de toda a recolha de informações.

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