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Governo espera que situação na Catalunha se acalme nos próximos dias

Governo espera que situação na Catalunha se acalme nos próximos dias

O Governo espanhol espera que a situação na Catalunha se "tranquilize", depois do aumento dos movimentos de desordem pública ocorridos esta segunda-feira na sequência da condenação dos dirigentes independentistas catalães envolvidos na tentativa de independência de 2017.

"Espero que a situação se tranquilize nos próximos dias", disse, em declarações à agência Lusa em Madrid, a ministra do Trabalho, Migrações e Segurança Social, Magdalena Valério.

O Tribunal Supremo espanhol condenou hoje em Madrid os principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha a penas que vão até um máximo de 13 anos de prisão, no caso do ex-vice-presidente do governo catalão.

"A Catalunha faz parte de Espanha, que é um país com um Estado de direito onde as sentenças devem ser acatadas", afirmou Magdalena Valério.

Assim que foi conhecida a sentença, uma série de grupos de independentistas iniciaram movimentos de protesto em todo o território da comunidade autónoma espanhola mais rica.

A polícia antidistúrbios carregou sobre um grupo que protestava no exterior do aeroporto de Barcelona, a capital da Catalunha, tendo uma dúzia de pessoas recebido cuidados médicos, segundo os serviços de saúde regionais.

"É legítimo que possa haver manifestações, mas elas têm de ser pacíficas e respeitar a lei de um Estado democrático de direita", disse à agência Lusa a ministra do Trabalho espanhola.

Outros grupos separatistas incendiaram pneus para impedir a circulação de comboios, tendo outros bloqueado a circulação rodoviária em algumas estradas da região.

Magdalena Valério insistiu que espera que esta "reação inicial evolua para outra mais calma" nos próximos dias e que "a situação não tenha muita incidência" no quadro da próxima campanha eleitoral para as eleições legislativas que vão ter lugar a 10 de novembro próximo.

O primeiro-ministro socialista espanhol, Pedro Sánchez, assegurou esta tarde que a situação será tratada com "firmeza serena, proporcionalidade e unidade" e apelou aos restantes líderes políticos espanhóis para não haver aproveitamento eleitoralista da mesma.

Os 12 independentistas julgados foram condenados a penas que vão desde a inabilitação para exercer cargos públicos durante 18 meses, por crimes de "desobediência", até a penas de prisão, por crime de sedição e desvio de fundos públicos, como foi o caso do ex-vice-presidente do Governo regional, Oriol Junqueras.

Todos eles aguardavam a leitura da sentença pelo seu envolvimento nos acontecimentos que levaram ao referendo ilegal sobre a autodeterminação da Catalunha realizado em 1 de outubro de 2017 e à declaração de independência feita no final do mesmo mês.

Nove deles já estavam presos preventivamente, mas o ex-presidente do executivo regional Charles Puigdemont faz parte de um grupo de separatistas que continuam no estrangeiro e que não foram julgados, porque o país não julga pessoas à revelia.

O aumento da tensão na Catalunha poderá ter um efeito desestabilizador em Espanha, numa altura em que o país está politicamente bloqueado, depois de as eleições legislativas realizadas em 28 de abril último e do fracasso em formar um novo Governo.

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