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Grécia avalia danos de inundações que provocaram 16 mortos

Grécia avalia danos de inundações que provocaram 16 mortos

As autoridades gregas estão a tentar resolver os problemas mais urgentes e avaliar os danos provocados pelas fortes inundações que na quarta-feira provocaram 16 mortos e seis desaparecidos nos arredores de Atenas.

Equipas de bombeiros e de limpeza estão mobilizadas nas estradas lamacentas de Mandra e Néa Peramos, localidades semi-industriais 50 quilómetros a oeste de Atenas, com as autoridades a tentarem fornecer ajuda imediata aos habitantes cujas casas e estabelecimentos foram destruídos pelas cheias provocadas por chuvas torrenciais.

"São necessárias soluções rápidas... em particular a distribuição de alimentos para que os que ficaram sem casa, sem documentos, sem medicamentos", declarou à agência noticiosa France Presse (AFP) a presidente do município de Mandra, Ioanna Kriekouki.

Atenas anunciou a distribuição de "2,5 toneladas de alimentos" nas zonas atingidas.

Pelo menos 16 pessoas morreram, 15 em Mandra, na maioria afogadas após terem ficado bloqueadas no subsolo das casas ou nos seus veículos.

Na noite de quarta-feira foi detetada uma outra vítima na povoação vizinha de Néa Peramos.

Centenas de bombeiros permaneciam no terreno numa tentativa de detetar os seis desaparecidos.

Diversas gruas percorreram as estradas de Mandra, ainda repletas de destroços e de carcaças de viaturas, aproveitando o regresso do sol após dois dias de chuvas intensas, precisou a AFP.

As primeiras estimativas do município de Mandra indicam que duas mil casas e estabelecimentos foram completamente destruídos pelas toneladas de água e de resíduos que na manhã de quarta-feira se abateram desde o monte Patéras e que submergiram a região, após as chuvas torrenciais.

"Em quatro horas o volume de água que caiu correspondeu a cinco meses de precipitação", assinalou Grigoris Stamoulis, o presidente do município de Néa Peramos, onde 500 casas foram destruídas.

Após uma visita do primeiro-ministro Alexis Tsipras à região e uma reunião com as autoridades locais, "o Governo prometeu indemnizar os atingidos por este desastre bíblico", garantiu Grigoris Stamoulis.

A prefeitura da Ática, a região de Atenas, submeteu um "pedido urgente" ao ministério das Finanças para solicitar uma ajuda financeira do Fundo de solidariedade europeu, criado em 2002 para enfrentar catástrofes naturais.

O Executivo decretou um luto nacional de três dias e Alexis Tsipras manifestou "grande tristeza" pelas vítimas e "choque" pela amplitude dos prejuízos. "Trata-se claramente de um fenómeno meteorológico raro e extremo", sublinhou.

Os peritos atribuíram esta catástrofe à urbanização incontrolada desta região agrícola, que nos últimos anos se converteu numa zona semi-industrial.

A ausência de controlos eficazes no setor da construção civil e do ordenamento do território, e a desflorestação provocada pelos incêndios de verão, permanecem problemas endémicos na Grécia.

A procuradoria de Atenas iniciou um inquérito preliminar para tentar estabelecer os motivos deste desastre.