Alemanha

Grupo alemão planeava "ataques violentos" e rapto de "figuras públicas". Ministro era alvo

Grupo alemão planeava "ataques violentos" e rapto de "figuras públicas". Ministro era alvo

A justiça alemã anunciou, esta quinta-feira, a detenção de quatro alegados membros de uma rede de extrema-direita contra as regras de contenção da covid-19, que planeavam "ataques violentos" no país e o rapto de "figuras públicas".

A rede, denominada "Patriotas Unidos", tinha como objetivo destruir "o sistema democrático alemão", segundo a procuradoria de Coblença e a polícia da Renânia-Palatinado, refere uma declaração conjunta. Os suspeitos, detidos na quarta-feira durante extensas buscas, tinham planeado atacar as redes elétricas para provocar "um apagão a longo prazo em todo o país", que, segundo estes, provocaria as condições para uma "guerra civil".

Na rusga realizada na quarta-feira, as autoridades, que investigavam o grupo desde outubro do ano passado, apreenderam armas de fogo, barras de ouro, moedas de prata e dinheiro no valor de mais de 10 mil euros, assim como telemóveis, falsos certificados de vacinação contra a covid-19 e vários documentos que descreviam os planos para derrubar o Estado alemão.

As autoridades tinham em mira cinco suspeitos - todos alemães e com idades compreendidas entre os 41 e os 55 anos -, tendo detido quatro, de acordo com a declaração.

As operações policiais visam a franja mais radical do movimento contra as restrições, cuja expressão se multiplicou e que colocou a violência da extrema-direita no topo da lista de ameaças à ordem pública, à frente do extremismo islâmico.

Ministro da Saúde era um dos alvos

Entre os alvos do grupo estava o ministro da Saúde social-democrata, Karl Lauterbach, de acordo com a agência noticiosa France-Presse (AFP), que cita uma fonte ministerial.

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Em declarações aos jornalistas, na cidade alemã de Husum, perto do Mar do Norte, Lauterbach disse que as detenções mostram que os protestos contra as medidas de contenção contra a covid-19 "não se tornaram apenas mais radicais, mas que (...) são tentativas de desestabilizar o Estado". "Esta é uma pequena minoria na nossa sociedade, mas altamente perigosa", afirmou, citado pela agência Associated Press (AP).

Apesar de ter ficado "horrorizado" ao saber que era um dos alvos, o ministro desvalorizou a influência do caso no seu trabalho. "Isto não influenciará o meu trabalho", sublinhou, acrescentando que vai tentar equilibrar os interesses da população que quer medidas mais leves, com a que quer medidas mais rigorosas.

Vários grupos ativos no país

O movimento "Patriotas Unidos" tem estado particularmente ativo na Alemanha desde o início da pandemia da covid-19 e utiliza canais da plataforma de troca de mensagens Telegram, onde fazem ameaças contra representantes eleitos ou durante manifestações.

Mas há mais. O assassínio em junho de 2019 de Walter Lübcke - um político do partido conservador que defendia o conjunto de ações para o acolhimento de migrantes da ex-chanceler Angela Merkel --, cometido por um militante neonazi, abalou profundamente o país.

No início de abril, as autoridades alemãs realizaram uma grande operação nos meios terroristas de extrema-direita, no âmbito de uma investigação mais ampla envolvendo a polícia e os serviços de informações militares desde 2019. Quatro suspeitos do grupo "Knockout 51" foram então detidos. As investigações em curso também visam o grupo de extrema-direita "Atomwaffen Division Deutschland".

Na quarta-feira, o Ministério Público Federal da Alemanha anunciou a acusação de um alemão simpatizante de um grupo neonazi, suspeito de querer desencadear "uma guerra de raças" no país através de ataques com explosivos e armas de fogo.

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