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Grupo de 36 países pede à ONU inquérito sobre morte de Khashoggi

Grupo de 36 países pede à ONU inquérito sobre morte de Khashoggi

Um grupo de 36 países pediu hoje à ONU para que exija ao governo da Arábia Saudita uma investigação "rápida e completa" sobre o assassínio do jornalista Jamal Khashoggi.

O objetivo da iniciativa diplomática é conseguir levar a tribunal os responsáveis pelo assassínio do jornalista no consulado saudita em Istambul, em outubro de 2018, onde terá sido desmembrado.

"Condenamos veementemente o assassínio do jornalista Jamal Khashoggi, que a Arábia Saudita confirmou ter ocorrido no seu consulado em Istambul", afirmou hoje o embaixador islandês junto da ONU, Harald Aspelund, no seu discurso no Conselho de Direitos Humanos daquela organização.

"As investigações (...) devem ser rápidas, eficazes e completas, independentes e imparciais, transparentes e responsáveis", acrescentou o diplomata de um dos 36 países que exige uma intervenção da ONU no esclarecimento deste caso.

O assassínio do jornalista colaborador da publicação norte-americana Washington Post, Jamal Khashoggi, em 02 de outubro, cujo corpo ainda não foi encontrado, provocou indignação no mundo inteiro e danificou a imagem da Arábia Saudita e, em particular, do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, suspeito de ter orquestrado esta morte.

Segundo a organização não governamental Human Rights Watch, esta é a primeira vez que um grupo de países decide fazer uma declaração conjunta sobre os direitos humanos na Arábia Saudita perante o Conselho de Direitos Humanos.

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O embaixador islandês, em nome dos 36 países, pediu à Arábia Saudita que "divulgue toda a informação disponível e coopere plenamente com todas as investigações sobre o assassínio, incluindo a investigação da relatora especial da ONU sobre execuções extrajudiciais".

A relatora Agnes Callamard, mandatada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, afirmou em 07 de fevereiro que o assassínio de Khashoggi tinha sido "planeado e perpetrado por representantes do Estado da Arábia Saudita".

Mas Riade já culpou os funcionários envolvidos como tendo agido de forma "descontrolada", sem intervenção do Reino.

O julgamento de 11 suspeitos pelo assassínio começou no início de janeiro, na Arábia Saudita, e o Procurador Geral solicitou a pena de morte de cinco deles.

"As circunstâncias" da morte de Khashoggi "reafirmam a necessidade de proteger os jornalistas e de defender o direito à liberdade de expressão em todo o mundo", concluiu diplomata islandês perante a ONU.

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