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Grupo radical que reivindica ataques contra igrejas quer estado islâmico no norte da Nigéria

Grupo radical que reivindica ataques contra igrejas quer estado islâmico no norte da Nigéria

O grupo radical islâmico Boko Haram, que reivindicou, este domingo, uma série de ataques na Nigéria, com um balanço provisório de 32 mortos, quer impor um Estado islâmico no norte do país, com a estrita aplicação da 'sharia', a lei islâmica.

Pelos menos 28 pessoas morreram, este domingo, em dois atentados contra igrejas cristãs, em ataques reivindicados pela seita islamita Boko Haram, que promete mais acções.

Outras quatro morreram num ataque suicida contra um posto policial e mais duas explosões foram sentidas este domingo, sem vítimas registadas, num total de cinco atentados reivindicados pela seita islamita Boko Haram.

A seita islamita tem estado nos últimos dias envolvidas em confrontos com as forças de segurança, num balanço que até sábado se admitia chegar aos cem mortos.

Este é o mesmo grupo que reivindicou em 28 de Agosto um atentado à bomba contra a sede das Nações Unidas em Abuja, que provocou 24 mortos.

Lançado em Janeiro de 2004, o movimento é também conhecido por "talibãs nigerianos" por os seus membros afirmarem que são talibãs afegãos. Alguns analistas acreditam que o grupo tem tornado os seus ataques mais sofisticados e pode ter ligações recentes à ala magrebina da al-Qaida (Aqmi).

Até à repressão de 2009, os combatentes islâmicos eram activos na sua fortaleza de Mauduguri, capital do Estado de Borno, perto das fronteiras com os Camarões, Níger e Chade. Depois disso, não se sabe onde se localiza a sua base.

Boko Haram lançou, em 2009, uma insurreição em Maidiguri sob comando do ex-dirigente Mohammed Yusuf. A repressão brutal da revolta pelo exército fez cerca de 800 mortos. A mesquita que serviu de quartel-general ao movimento foi completamente destruída pelas forças de segurança.

Os combatentes islamistas nigerianos não renunciaram mais à violência e continuam a lançar ofensivas mortíferas sobretudo contra responsáveis policiais, bem como contra líderes comunitários e religiosos que se oponham às suas ideias.

Desde meados de 2010, o grupo alargou o campo de acção. Activo sobretudo no Norte (maioritariamente muçulmano) do país mais populoso de África, com mais de 160 milhões de habitantes, estende-se também a outras regiões, sobretudo na capital federal de Abuja, cujo quartel-general da polícia foi atacado, fazendo dois mortos.

Boko Haram, nome que significa "a educação ocidental é um pecado", pretende a implementação de um Estado islâmico no norte da Nigéria, com a estrita aplicação da 'sharia', a lei islâmica.

As ligações do grupo ultrapassam as fronteiras nigerianas. A 15 de Junho, o movimento afirmou, em comunicado, que alguns dos seus membros tinham recebido formação militar na Somália. "Muito em breve, vamos lançar a 'jihad' [guerra santa]. Queremos fazer saber que os jihadistas chegaram à Nigéria vindos da Somália, onde receberam uma formação militar pelos nossos irmãos", lê-se no texto do Boko Haram.

Os membros do grupo também receberam formação no Afeganistão e em Sahel, de acordo com especialistas em terrorismo.

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