Ambiente

Guerra na Ucrânia ameaça a Amazónia

Guerra na Ucrânia ameaça a Amazónia

A dependência brasileira dos fertilizantes russos justificam a exploração da maior floresta tropical do mundo.

Os efeitos da guerra têm vindo a fazer-se sentir em todo o mundo e o Brasil não é exceção. A agricultura do maior país da América Latina é dependente de fertilizantes, que são importados da Rússia. Um estudo da CNN Brasil revela que "São Paulo é o estado mais dependente de fertilizantes vindos da Rússia", importando um total de 35,9%.

Sob o pretexto de combater este problema, foi aprovado um projeto de lei que permite a exploração de recursos naturais, como minerais e petróleo, em território amazónico. Jair Bolsonaro sugeriu ainda a construção de uma mina de potássio, mineral utilizado no fabrico de fertilizantes, no município de Autazes. "A nossa segurança alimentar está em jogo e devemos tomar medidas para não depender de fora de um recurso como o potássio, que temos em abundância", declarou o presidente do Brasil.

PUB

Em contrapartida, um estudo feito pela Universidade Federal de Minas Gerais garante que os depósitos de potássio no Brasil não são encontrados nestes territórios, mas sim no sudeste do país, em Minas Gerais, onde se estima existir uma reserva de cerca de 838 milhões de toneladas deste mineral. A exploração neste território seria menos destrutiva e daria para abastecer a agricultura até 2100.

Em fevereiro, Bolsonaro lançou um programa que promove a exploração mineira em pequena escala na Amazónia, incentivando os garimpos (exploração de minerais preciosos) que, de acordo com a ONG Instituto Escolhas, "são uma das principais ameaças à floresta amazónica e os seus povos, e estão longe de operar em escala artesanal ou rudimentar, pois fazem-no como verdadeiras organizações industriais".

A solução encontrada pelo presidente surge num momento em que o mundo enfrenta severos efeitos do aquecimento global. Isto, em conjunto com a desflorestação da Amazónia, poderia aumentar até 5ºC a temperatura à sombra, segundo investigadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG