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Guterres pede mais cooperação internacional contra tráfico humano

Guterres pede mais cooperação internacional contra tráfico humano

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu este domingo mais cooperação internacional para evitar tragédias como a dos 39 emigrantes, possivelmente vietnamitas, encontrados mortos num camião em Inglaterra.

Guterres falava numa conferência de imprensa em Banguecoque, durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que se celebra até segunda-feira, com os líderes do bloco, assim como a China, Japão e Índia, entre outros.

O secretário-geral da ONU, que participou em Banguecoque na reunião bilateral ASEAN-ONU, destacou a necessidade de organizar a migração para que seja legal e deixar assim sem "negócio" as redes de tráfico de pessoas.

"Gostaria de ver a mesma cooperação internacional para o tráfico de pessoas como a que vejo contra o tráfico de drogas, porque o tráfico de pessoas humanas é um crime mais abjeto que o de drogas", disse.

Guterres também apontou que o Governo birmano é responsável por alcançar a "reconciliação" no estado Rakáin, no oeste da Birmânia (Myanmar) e a repatriação de forma segura e com dignidade dos refugiados rohingyas do Bangladesh.

Os rohingya, uma etnia não reconhecida por Naipyidó, iniciaram em agosto de 2017 um êxodo massivo para o vizinho Bangladesh após uma campanha militar qualificada por investigadores da ONU de "limpeza étnica" com indícios de "genocídio".

Além disso, o secretário-geral das Nações Unidas defendeu o multilateralismo nas relações internacionais e instou os governos a lutar contra a crise climática, que classificou como um problema "chave" para a segurança.

A esse propósito, referiu-se ao recente relatório que indica a perda de grandes zonas costeiras em 2050 devido ao aumento do nível médio do mar que afetará 300 milhões de pessoas, dos quais 70% na Ásia.

"É absolutamente essencial evitar que isto ocorra", afirmou Guterres, que instou os países a usar energias renováveis, que qualificou de mais baratas e eficientes, e a deixar de construir centrais de carvão a partir do próximo ano.