Grécia

"Há crianças a dormir em campas do cemitério" na ilha grega de Lesbos

"Há crianças a dormir em campas do cemitério" na ilha grega de Lesbos

Os incêndios de quarta-feira no campo de migrantes de Moria, na ilha grega de Lesbos, deixaram milhares de pessoas a dormir na rua sob vigilância do exército. E obrigaram, conta ao JN Apostolos Veizis, diretor médico dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Grécia, "crianças a dormir em cemitérios".

A grande maioria voltou a passar a noite de ontem ao relento, porque "o Governo ainda não arranjou uma solução". O fogo desalojou cerca de 13 mil pessoas, mas só foi arranjada resposta para 407 crianças não acompanhadas e adultos em situação de risco.

"Estas pessoas estão sem água, proteção ou abrigo. Dormiram no chão e, em grande número, instalaram-se num cemitério nas imediações da estrada. Há crianças a dormir em cima das campas".

Em relação aos protestos na origem dos fogos, o diretor médico lamenta que o Governo grego tenha fechado "em julho o centro de isolamento da MSF para covid-19 positivos em Moria". A ordem passou a ser "obrigar os positivos a permanecer na sua tenda, juntamente com mais dez ou 11 pessoas". Na noite de terça-feira, a tensão escalou com a confirmação de 35 casos. E as labaredas raiaram no complexo militar.

Pensando em possíveis soluções para a catástrofe, o médico não hesita em afirmar que "toda esta gente tem de ser retirada. Lesbos não é mais uma opção". "A União Europeia tem andado a brincar com a vida humana. Sou colaborador da MSF há mais de 20 anos e este é o pior cenário onde alguma vez estive".

A colaboração entre a MSF e o Governo grego é complicada, admite Apostolos. "Criminalizaram-nos durante anos. Agora precisam de nós e nós estamos aqui para ajudar. Pelas pessoas, não pela incapacidade de resposta do Governo".

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O incêndio em Moria espoletou protestos por toda a Alemanha, em que se ouviu: "Nós temos aqui espaço". Berlim reagiu prontamente à crise humanitária, tentando pressionar forças europeias a enfrentar a catástrofe. A pressão da chanceler alemã, Angela Merkel, resultou num acordo com o presidente francês, Emanuel Macron, para o acolhimento das 407 crianças retiradas anteontem da ilha.

Os requerentes de asilo vitimados pelo fogo estão a ser realojados em abrigos temporários, com condições semelhantes ao campo de Moria, ou, em caso de risco, transportados para a Grécia continental, numa operação que "não acontecerá numa noite, vai demorar vários dias", avisou o porta-voz do Governo grego, Stelios Petsas. Há ainda um ferry para alojamento temporário e dois navios militares a caminho. Entretanto, um número considerável de famílias continua na estrada cercada pelo exército.

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