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Há uma "epidemia de violações" no Paquistão e o primeiro-ministro culpa as mulheres

Há uma "epidemia de violações" no Paquistão e o primeiro-ministro culpa as mulheres

Numa altura em que o Paquistão está a ser assolado por uma "epidemia de violações", o primeiro-ministro, Imran Khan, está a ser duramente criticado por ter culpado as vítimas por usarem "muito pouca roupa".

Quando questionado sobre a situação no país numa entrevista ao site "Axios", Imran Khan respondeu que, "se uma mulher veste poucas roupas, isso terá um impacto no homem, a menos que sejam robôs. É bom senso".

O primeiro-ministro do Paquistão não entrou em detalhes sobre o que entende por "poucas roupas" num país onde a grande maioria das mulheres usa trajes conservadores.

As declarações despertaram a ira das mulheres paquistanesas. De acordo com o jornal britânico "The Guardian", mais de uma dúzia de grupos de direitos das mulheres, incluindo a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, divulgou um comunicado a exigir um pedido de desculpas.

"Isto é perigosamente simplista e apenas reforça a perceção pública comum de que as mulheres são vítimas 'intencionais' e os homens os agressores 'desamparados'", disseram.

Por sua vez, Maryam Nawaz, vice-presidente da Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz e filha do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, disse que Khan era um "apologista da violação" e que as pessoas que validavam essa ação tinham a mesma mentalidade dos perpetradores.

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Ativistas de direitos humanos acreditam que as declarações de Khan são particularmente perigosas para as crianças. A Comissão de Direitos Humanos do Paquistão estima que ocorram todos os dias 13 casos de abuso infantil no país.

Sahil, organização dos direitos da criança, considera que os grupos mais vulneráveis do Paquistão são meninos entre seis e 15 anos e meninas que são bebés ou entre os 16 e os 18 anos. Os abusadores foram associados a redes internacionais de pornografia infantil.

O fim de semana passado foi marcado por protestos nas cidades de Karachi e Lahore.

Esta não é a primeira vez que Khan faz declarações polémicas sobre o assunto. No início do ano, o primeiro-ministro foi acusado de "desconcertante ignorância" por um dos principais grupos de direitos humanos do país após aconselhar as mulheres a cobrirem-se para evitar serem violadas.

Classificado como o sexto país mais perigoso do mundo para as mulheres, o Paquistão tem uma taxa de condenação por violação de 0,3%, uma das mais baixas do mundo.

Vítimas de abuso sexual são frequentemente vistas com suspeita e queixas criminais raramente são investigadas com seriedade. Grande parte do país vive sob o chamado "código de honra", em que as mulheres que trazem "vergonha" às suas famílias podem ser submetidas à violência ou assassinato.

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