Espanha

Histórico narcotraficante Sito Miñanco era o dono de toneladas de cocaína apreendidas ao largo dos Açores

Histórico narcotraficante Sito Miñanco era o dono de toneladas de cocaína apreendidas ao largo dos Açores

O histórico narcotraficante galego conhecido por "Sito Miñanco" ou Pablo Escobar espanhol vai responder em tribunal por tentar introduzir em Espanha cerca de quatro toneladas de cocaína, apreendidas num navio junto aos Açores e num contentor na Holanda, quando ainda cumpria pena de prisão.

Depois de quatro anos de investigação, a juíza de instrução María Tardón decidiu levar a julgamento o traficante José Ramón Prado Bugallo, que inspirou Fariña" na Netflix, assim como outras 45 pessoas da organização criminosa, entre elas o advogado Gonzalo Boye (que defendeu o ex-presidente catalão Carles Puigdemont), pronunciado por ajudar o grupo a branquear capitais do narcotráfico.

Segundo a magistrada, Sito Miñanco conseguiu liderar a organização desde a cadeia de Algeciras, onde cumpria pena por tráfico de droga em regime de semi-liberdade: de manhã trabalhava como segurança num parque de estacionamento. A primeira vez que este histórico do narcotráfico galego foi preso foi em 1983 por contrabando de tabaco. Desde então já foi condenado várias vezes por tráfico de estupefacientes em grande escala, acumulando dezenas de anos de cadeia.

Desta vez será julgado no âmbito da Operação Mito, dirigida pela Audiência Nacional, que levou à apreensão de mais de quatro toneladas de cocaína, em 2017 - 3.800 quilos num navio intercetado ao largo dos Açores e 616 quilos num contentor num depósito no norte da Holanda, explica o diário espanhol "El País".

A organização com alegadas relações com a Colômbia, a Holanda e a Turquia, operava na Galiza, em Campo de Gibraltar, na Costa do Sol e em Madrid. Até ser detido em 2018, Miñanco "manteve a planificação e execução constante de outras operações de introdução, distribuição e venda de droga", diz o despacho de pronúncia.

A estrutura usava empresas próprias (como de aluguer de carros e uma imobiliária) para alegadamente lavar dinheiro, além de recorrer a sociedades de terceiros. Servia-se ainda de um sistema de "correio humano" que viajava à Colômbia com dinheiro para o esconder. Movimentava centenas de milhares de euros. Quando Sito Miñanco foi detido em fevereiro de 2018, a polícia encontrou 377 mil euros em dinheiro, escondidos dentro de um sofá, na mansão que usava em Algeciras.

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"Todas as decisões eram tomadas ou supervisionadas por ele [Sito Miñanco]", diz a juíza María Tardón. Para este capítulo, o narcotraficante adotou o nome de "Mario". Era ele quem discutia desde os detalhes da recolha da mercadoria até ao excesso de combustível usado nas lanchas, nada lhe escapava. "Aqui as coisas fazem-se à minha maneira", diz a sua personagem na série "Fariña".

Um passado cheio de condenações

A série espanhola baseada em factos reais, que remontam aos anos 80, retrata como o tráfico de cocaína começou a chegar à Europa através da Galiza, depois de muitos pescadores em crise se terem virado para o contrabando de tabaco pelo mar. É no final da década de 80, com cerca de 25 anos, que Sito Minãnco estabelece contactos com alguns dos membros dos cartéis colombianos para o tráfico de cocaína. Manteve uma vida de luxo e chegou a comprar um clube de futebol em Pontevedra, o Juventud Cambados.

Em 1990, fugiu para o Panamá, mas foi preso sete meses depois já em Madrid. Em 1994, foi condenado a 20 anos de prisão pelo tráfico de 2,4 toneladas de cocaína, fuga de impostos e falsificação de documentos. Em 2001, ficou em liberdade condicional, mas por pouco tempo, sendo entretanto detido noutra operação internacional que apreendeu cinco toneladas de haxixe, em Madrid. Em 2004, foi novamente condenado a 16 anos e 10 meses de prisão e a pagar uma multa de 390 milhões de euros. Em 2010, foi acusado de branqueamento de capitais.

Advogados acusados

Desde que foi pronunciado na passada sexta-feira, o advogado Gonzalo Boye tem defendido a sua inocência. É apoiado por um importante setor do movimento independentista catalão, que considera que o advogado está a ser perseguido por representar os líderes deste processo, relata o "El País".

A juíza tomou o advogado como colaborador de Miñanco por alegadamente falsificar, juntamente com outro advogado, documentação, para recuperar o dinheiro que a polícia apreendeu a um dos "correios humanos" da organização.

De acordo com a investigação, a rede iria pagar-lhes 90 mil euros por esses papéis, "dos quais Boye recebeu 10 mil", presumivelmente, numa reunião com membros da organização.

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