Filipinas

Homem forçado a fazer 300 agachamentos por violar confinamento morreu

Homem forçado a fazer 300 agachamentos por violar confinamento morreu

Um homem de 28 anos morreu, nas Filipinas, depois de ter sido forçado a fazer 300 agachamentos como punição por ter violado o recolher obrigatório, no âmbito das restrições para conter a pandemia de covid-19. Família diz que ele ia apenas comprar água.

Darren Manaog Peñaredondo, de 28 anos, saiu de casa a 1 de abril para ir comprar água, numa cidade da província de Cavite, que está em confinamento devido ao aumento de casos de covid-19.

Mas no percurso foi mandado parar pela polícia que o "castigou" com cem agachamentos, segundo uma reportagem da afiliada da CNN nas Filipinas. E os agentes ordenaram depois que repetisse o exercício, levando o homem a fazer cerca de 300 agachamentos.

Dois dias depois o homem "começou a ter convulsões mas foi possível reanimá-lo em casa. Depois o corpo dele falhou e foi novamente reanimado, mas já estava em coma", contou a família. Darren morreu às 22 horas.

As Filipinas têm mais de 819 mil infeções e 14 mil mortes por covid-19, segundo a universidade Johns Hopkins. O aumento acentuado de novos casos no mês passado levou as autoridades a ordenar o confinamento obrigatório de mais de 25 milhões de pessoas, incluindo na província de Cavite.

O Departamento do Interior e os governantes locais já ordenaram um inquérito à morte de Darren. "Todos os polícias que se comprove que violaram a lei serão processados e punidos de acordo com as penas criminais e administrativas previstas", referiu o sub-secretário do Departamento do Interior, Jonathan Malaya, numa mensagem à CNN Filipinas.

A morte de Darren ocorre após outros incidentes de brutalidade policial. Num comunicado divulgado em março, a organização Human Rights Watch (HRW) denunciou o caso de cinco jovens que foram presos numa jaula por violarem o dever de recolhimento e pessoas forçadas a ficarem sentadas ao sol na altura mais quente do dia como castigo.

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"As únicas penalizações que podem ser impostas pelas forças de segurança por qualquer violação são as que estão previstas na legislação local e na legislação nacional e não temos qualquer lei que permita por pessoas em jaulas de cães ou fazer exercícios por um longo período de tempo", frisou José Manuel Diokno, advogado e fundador de um grupo de assistência jurídica gratuita (Free Legal Assistance Group).

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