Violência

Homem negro espancado e assassinado por seguranças no Brasil

Homem negro espancado e assassinado por seguranças no Brasil

Um homem negro de 40 anos foi espancado e assassinado por dois seguranças do supermercado Carrefour na cidade brasileira de Porto Alegre, na noite de quinta-feira.

O crime está a gerar grande indignação no país porque ocorreu na véspera de 20 de novembro, em que se comemora o Dia da Consciência Negra no Brasil.

O feriado da consciência negra celebra a memória do líder Zumbi dos Palmares, que lutou contra a escravidão e ajudou centenas de negros a fugirem do cativeiro, fundando uma comunidade para abrigá-los [quilombo] no nordeste do país, durante a colonização portuguesa.

Vídeos que mostram o espancamento de João Alberto Silveira Freitas, conhecido como Beto, em frente ao supermercado, e a tentativa de socorristas de salvá-lo circulam nas redes sociais e estão a provocar a mobilização de ativistas contra o racismo.

O crime está a ser investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Porto Alegre.

O site GaúchaZH, um dos 'media' mais importantes do Rio Grande do Sul, estado cuja capital é a cidade de Porto Alegre, onde ocorreu o crime, informou que o espancamento e assassinato de Beto se deu após uma briga entre a vítima e uma funcionária do supermercado, que chamou os seguranças responsáveis pelo crime.

Numa nota publicada nas redes sociais, o Carrefour informou que adotará as medidas para responsabilizar os envolvidos no crime e disse que vai por fim ao contrato com a empresa dos seguranças que cometeram a agressão.

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"Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contacto com a família do senhor João para dar o apoio necessário", afirmou a empresa.

"Para nós [Carrefour], nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que aconteceu e acompanharemos os desenvolvimentos do caso, oferecendo todo o apoio para as autoridades locais", acrescenta a nota.

O assunto provocou também reações de políticos.

"Amanhecemos transtornados com as cenas brutais de agressão contra João Alberto Freitas, um homem negro, espancado até à morte no Carrefour. O racismo é a origem de todos os abismos desse país. É urgente interrompermos esse ciclo", escreveu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na rede social Twitter.

Manuela D'Ávila, candidata à prefeitura de Porto Alegre, que disputará a segunda volta das eleições em 29 de novembro, comentou o caso na noite de quinta-feira.

"Estava no debate da Band [TV Bandeirantes] e na saída soube do assassinato de um homem negro pela abordagem violenta dos seguranças do estacionamento do Carrefour. Sei que já há pedido de investigação sendo feito por parlamentares e pela bancada antirracista recém-eleita. Mas as imagens dizem muito", afirmou a candidata no Twitter.

Sebastião Melo, que também disputa a segunda volta da eleição de Porto Alegre, se manifestou e pediu medidas rigorosas.

"Um absurdo! As cenas são chocantes. Justamente no dia Nacional de luta contra o racismo. Medidas rigorosas devem ser tomadas imediatamente!", escreveu na rede social Twitter.

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