Guerra na Ucrânia

Hong Kong recusa aplicar sanções ocidentais a superiate russo

Hong Kong recusa aplicar sanções ocidentais a superiate russo

O líder de Hong Kong, John Lee, disse esta terça-feira que só aplicará sanções aprovadas pela Organização das Nações Unidas, recusando-se a apreender um iate de luxo detido por um magnata russo alvo de sanções ocidentais.

"Não podemos fazer nada que não tenha base legal", disse o chefe do executivo da região administrativa especial chinesa aos jornalistas.

"Vamos cumprir as sanções das Nações Unidas, esse é o nosso sistema, esse é o nosso Estado de direito", acrescentou John Lee.

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Na segunda-feira, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA disse que "o possível uso de Hong Kong como um porto seguro por indivíduos que fogem de sanções de várias jurisdições questiona ainda mais a transparência do ambiente de negócios".

Num comunicado, o porta-voz também disse que a reputação da cidade como centro financeiro "depende de sua adesão às leis e padrões internacionais".

O superiate Nord, cujo valor está avaliado em 500 milhões de dólares (516 milhões de euros), atracou no porto de Hong Kong a 5 de outubro, após uma viagem de uma semana da cidade russa de Vladivostok.

O Nord é supostamente propriedade de Alexey Mordashov, um dos homens mais ricos da Rússia, com uma fortuna estimada em 18 mil milhões de dólares (18,6 mil milhões de euros), sobretudo por ser o principal acionista da Severstal, a maior siderúrgica e mineradora da Rússia.

Mordashov, um magnata próximo do presidente russo Vladimir Putin, foi sancionado pelos EUA, Reino Unido e União Europeia em fevereiro, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

As autoridades de Hong Kong têm reiterado que não implementam sanções unilaterais impostas por outros governos, seguido a política de Pequim, que se opôs a participar nas sanções contra a Rússia.

O porta-voz do Departamento de Estado disse que as empresas dos EUA "veem cada vez mais o ambiente de negócios de Hong Kong com cautela" devido ao enfraquecimento do alto grau de autonomia e liberdades da cidade.

Autoridades dos EUA e da Europa apreenderam mais de uma dúzia de iates pertencentes a magnatas russos sancionados.

Em resposta, oligarcas russos começaram a atracar iates em portos de lugares como a Turquia, que mantém ainda laços diplomáticos com a Rússia.

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