Ambiente

Icebergue gigante vai chocar com ilha onde vivem milhares de focas e pinguins

Icebergue gigante vai chocar com ilha onde vivem milhares de focas e pinguins

Bloco de gelo flutuante com 3700 quilómetros quadrados a caminho da ilha de Geórgia do Sul terá "efeitos devastadores" na vida selvagem e marinha.

Uma missão científica parte no final de janeiro para a ilha subantártica de Geórgia do Sul, para onde se dirige um icebergue gigante - designado A-68a - , com 3700 quilómetros quadrados, uma área superior à da própria ilha (3 528 km2), temendo impactos severos num dos maiores ecossistemas do mundo e ameaça às populações de pinguins e focas.

A missão, liderada pelo instituto de investigação British Antarctic Survey (BAS) e apoiada pelo Centro Nacional de Oceanografia do Reino Unido, visa avaliar os impactos da chegada do A-68a, o maior "fragmento" do icebergue (A68) que se separou, em julho de 2017, da plataforma de gelo Larsen C na Antártida.

Até há dias, o A-68a era o maior icebergue conhecido, com mais de 4200 km2, mas perde dimensão à medida que se dirige para Norte. O maior é agora o A-23a (4000 km2), "encalhado" no Mar de Weddell, no oceano Antártico.

Efeitos para uma década

Segundo recentes imagens de satélite, o icebergue, que está a menos de 75 quilómetros da ilha britânica, girou no sentido dos ponteiros do relógio e uma extremidade terá tocado águas menos profundas (200 metros), fazendo destacar-se um novo bloco gigante de gelo, de 140 km2.

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Os cientistas querem estudar o impacto da água doce do gelo derretido numa importante região do Oceano Atlântico Sul para a vida selvagem. As águas da Geórgia do Sul são "um dos lugares biologicamente mais ricos do Planeta, com mais espécies marinhas descritas do que nas Galápagos, e é uma das maiores áreas marinhas protegidas do mundo", salienta a BAS.

Além das colónias de dezenas de milhares de pinguins e de seis milhões de focas - cujas populações serão afetadas no período de reprodução, pois o icebergue poderá prejudicar as viagens de recolha de alimento -, os cientistas estão preocupados com a vida nos fundos marinhos. Os efeitos negativos poderão durar uma década.

"O icebergue vai causar a devastação no fundo do mar, varrendo as comunidades de esponjas, estrelas-do-mar, vermes e ouriços-do-mar, reduzindo a biodiversidade", salienta o professor Geraint Tarling, notando que essas comunidades ajudam a armazenar grandes quantidades de carbono, sobretudo nos sedimentos, que se libertarão com a destruição.

O especialista salienta que haverá, contudo, impactos positivos. Ao deslocar-se em oceano aberto, os icebergues libertam grandes quantidades de poeira mineral, que fertiliza o plâncton com benefícios diretos para as espécies que dele se alimentam e indiretos para a cadeia alimentar.

Perigo para a navegação

A monitorização da viagem do A-68a indica que está a quebrar-se. Os cientistas temem que milhares de novos icebergues menores possam obstruir as rotas de navegação marítima.

Aquecimento global

A separação do A68a da plataforma de gelo "materna" é encarada como natural. Mas os modelos climáticos indicam que numa Antártida mais quente no futuro estes acontecimentos sejam mais frequentes.

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