Covid-19

Ikea corta subsídios por doença aos funcionários não vacinados

Ikea corta subsídios por doença aos funcionários não vacinados

Marca sueca impõe medida punitiva no Reino Unido. Valor da baixa médica implica corte salarial de 75%. Em Portugal, os subsídios são pagos na íntegra.

A Ikea está a cortar o valor das baixas médicas de vários funcionários não vacinados contra a covid-19, e que faltem ao trabalho por estarem em isolamento. A medida, em vigor nas lojas da marca do Reino Unido, aplica-se aos que testaram positivo na doença do novo coronavírus e também aos que entram em isolamento preventivo (mínimo: 10 dias) devido a contactos de alto risco.

Esta política significa que o grande retalhista sueco de móveis se junta a uma lista crescente de empresas que estão a adotar uma política mais dura para funcionários que recusem a vacinação contra a doença respiratória.

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O novo coronavírus é altamente infeccioso e atirou o mundo para a atual pandemia, que dura há quase dois anos e já provocou 311 milhões de casos de covid e 5,5 milhões de mortos em todo o mundo.

A Ikea tem mais de 10 mil funcionários no Reino Unido e fez saber que reduziu para o mínimo legal o valor do subsídio por doença desse grupo de trabalhadores não vacinados. Esse valor é, agora, de 96,35 libras por semana (cerca de 115 euros; o valor mensal do apoio perfaz, assim, 460 euros).

Trata-se de um corte de 75% no salário. Em média, um funcionário da Ikea recebe por mês 1600 libras (1900 euros) ou 400 libras por semana (480 euros semanais). A notícia foi revelada esta semana pelo jornal tabloide "The Mail on Sunday".

Mais empresas estão a cortar

O governo do Reino Unido descartou, em agosto de 2021, o auto isolamento devido a contactos de alto risco de covid-19. A Ikea disse que a sua abordagem à matéria mudou após setembro do ano passado e que os indivíduos ausentes do trabalho seriam agora considerados "caso a caso".

A empresa de serviços públicos de abastecimento de água e esgotos Wessex Water, também do Reino Unido, adotou uma medida semelhante quanto ao valor das baixas médicas, juntando-se a empresas como a cadeia de supermercados Wm Morrison, que já reduziu também o subsídio aos seus funcionários não vacinados.

O mesmo está a acontecer em grandes empresas dos Estados Unidos, como o gigante bancário Citigroup, cuja política é mesmo "sem vacina, sem emprego", ou a companhia de aviação Delta Airlines, que agravou o valor dos seguros de saúde aos funcionários não vacinados, que agora têm que pagar uma taxa extra se quiserem continuar a trabalhar sem proteção contra a covid.

Em Portugal a baixa é paga a 100%

No nosso país, onde a Ikea tem mais de 2500 funcionários, nenhum destes cenários se verifica. "A situação na Ikea Reino Unido não se aplica a Portugal", confirmou ao JN a assessoria de imprensa da empresa sueca a operar em Portugal. E os funcionários que não desejem ser vacinados, recebem na mesma o seu salário por inteiro.

"Apesar de a Ikea Portugal defender a vacinação como medida para que, em conjunto, se proteja a saúde de todos, não tem qualquer medida restritiva em relação aos colaboradores que optaram por não se vacinar, seguindo, assim, a lei do nosso país", disse a assessoria em resposta escrita ao JN.

"Relativamente aos pagamentos, a Ikea Portugal paga a 100% quem está em isolamento profilático e as pessoas infetadas recebem a sua baixa médica regular", concluiu a mesma fonte.

Riscos legais e para a saúde pública

O corte de 75% no valor das baixas médicas no Reino Unido é um "tema emotivo", disse a Ikea britânica à BBC, revelando que a sua política "necessitou de evoluir com a mudança das circunstâncias da pandemia".

Isto ocorre numa altura em que muitas empresas lutam com ausências em massa de funcionários devido a doença e custos crescentes no processo de trabalho. De resto, a Ikea anunciou no final de 2021 que iria aumentar o preço dos seus produtos de venda ao público em cerca de 9% "devido a interrupções contínuas no fornecimento de matéria-prima e também da rede de transportes".

Segundo o Chartered Institute of Personnel and Development (CIPD), uma associação de profissionais de gestão de recursos humanos, há prós e contras nesta mudança dos termos de pagamento por doença a certos trabalhadores.

Por um lado, pode incentivar os trabalhadores a vacinarem-se, aumentando assim a proteção global contra a covid-19. Mas, por outro lado, pode haver pessoas que decidam testar-se menos ou mesmo a não entrar em isolamento para não verem o seu salário reduzido a 25% do valor total.

A orientação oficial da CIPD é não diferenciar funcionários, pois as consequências podem ser complexas e dar azo a problemas legais.

Não faltar para não perder dinheiro

No início de janeiro, David Josephs, do retalhista alimentar All Greens, disse à BBC que funcionários de algumas empresas estavam a ignorar as regras da covid por razões financeiras.

"Sabemos que, no nosso setor, muitos funcionários não recebem o subsídio de doença na íntegra. Os nossos recebem -- mas os funcionários com contratos a termo ou que recebem o salário mínimo não podem dar-se ao luxo de faltar ao trabalho", disse o retalhista.

Sarah Ozanne, especialista inglesa em direito do trabalho, também alertou, em declarações à BBC, para questões legais complexas e disse que é difícil encontrar o equilíbrio certo.

"Esta ação [da Ikea] parece mais uma reação à falta de pessoal do que qualquer 'discriminação' para com os não vacinados", disse a advogada.

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