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Impasse entre partidos gregos para novas medidas de austeridade

Impasse entre partidos gregos para novas medidas de austeridade

A "troika" e os líderes dos três partidos da coligação governamental na Grécia não chegaram a acordo sobre novas medidas de austeridade, segundo dois dos líderes partidários, que indicaram que as negociações prosseguem na segunda-feira.

A 'troika' "exige mais austeridade do que aquela que o país é capaz de suportar", afirmou o líder da Nova Democracia (direita), Antonis Samaras, citado pela AFP, à saída de uma reunião de cinco horas na residência do primeiro-ministro grego, adiantando que irá "bater-se por impedir isso".

O líder de extrema-direita, Georges Karatzaferis, sublinhou, por seu turno, que "não queria contribuir para a explosão de uma revolução" ao aceitar as novas medidas exigidas.

O primeiro-ministro, Lucas Papademos, confirmou as indicações de que as negociações continuam na segunda-feira, afirmando terem sido alcançados acordos em muitos dossiers.

Antonis Samaras, presidente do partido conservador Nova Democracia, pelo seu lado, afirmou que o país está a "ser forçado a mais austeridade, que não tem condições de suportar". "Estou a lutar para impedir isto".

Atenas tem estado com conversações com a União Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central sobre um pacote de medidas consideradas necessárias pela "troika" para que seja aprovado um novo resgate de 130 mil milhões de euros, em negociações desde Outubro.

A pressão tem igualmente sido elevada no sentido de um acordo entre o executivo helénico e os credores privados que permita uma reestruturação de parte dos 350 mil milhões de euros a que ascende a dívida pública grega, numa altura em que Atenas tem maturidades na ordem dos 14,4 mil milhões de euros a vencer no próximo dia 20 de Março.

As medidas exigidas pela "troika" incluem alegadamente um corte de 20% no salário mínimo grego, atualmente fixado nos 750 euros, um corte de 15% nas pensões e um programa de "layoff" para 15 mil funcionários públicos gregos.

O ministro grego das Finanças, Evangelos Venizelos, avisou que teria que ser alcançado um acordo durante este domingo, para que a Grécia tivesse condições de respeitar com segurança o calendário de pagamentos da dívida pública.

Papademos, que, de acordo com a imprensa grega, terá ameaçado demitir-se se a coligação não o apoiar, afirmou que os líderes políticos chegaram a acordo em relação a "elementos base", que incluem novos cortes de despesa pública, ajustamentos nas pensões e a recapitalização dos bancos gregos, para além de uma controversa revisão das leis laborais.

Os líderes concordaram em "tomar medidas para reduzir a despesa pública em 1,5% do produto em 2012" e em "resolver" um défice de competitividade do país através da redução de salários e outras despesas, uma medida que tem merecido a forte oposição dos sindicatos, afirmou Papademos.

Foi também alcançado um acordo no sentido da recapitalizar os bancos gregos que voluntariamente participarem na reestruturação da dívida grega, que lhes garante "autonomia", indicou o chefe do Governo, sugerindo que os credores privados que aceitarem ajudas de Estado não serão nacionalizados.