EUA

Impeachment de Trump avança para a próxima fase

Impeachment de Trump avança para a próxima fase

A líder Democrata da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi​​​​​, anunciou esta quinta-feira que já instruiu o comité judiciário daquele organismo para que sejam entregues as acusações para a destituição do presidente Donald Trump, por suposto abuso de poder.

"A nossa democracia está em jogo, o presidente não nos deixa outra opção a não ser agir", disse Pelosi, que esteve reunida, na quarta-feira, com os representantes Democratas, a quem perguntou se estavam prontos para avançar na redação dos artigos de 'impeachment' contra o presidente, com base no resultado das audições de inquérito feitas até agora, no momento em que o processo passou do Comité de Inteligência para o Comité Judiciário.

Pelosi afirmou que a Câmara dos Representantes vai apresentar a acusação e disse aos jornalistas que "as ações do presidente violaram seriamente a constituição". "Com tristeza, mas também com confiança e humildade, em lealdade aos nossos fundadores e com o coração cheio de amor pela América, hoje [quinta-feira] vou pedir ao presidente da comissão para avançar com os artigos de destituição", anunciou.

Com esta decisão, Donald Trump torna-se o quarto presidente a ser sujeito a uma votação de 'impeachment', depois de Andrew Johnson (1865-1869), Richard Nixon (1969-1974) e Bill Clinton (1993-2001), nenhuma delas tendo tido sucesso - Nixon demitiu-se ainda antes de uma votação no Senado ter acontecido, após o caso Watergate.

De acordo com elementos presentes na reunião de quarta-feira, à porta fechada, Pelosi recebeu como resposta um retumbante 'sim', num sinal evidente de que os Democratas querem rapidamente discutir, aprovar - é necessária uma maioria simples na Câmara de Representantes - e enviar para o Senado uma lista de artigos de 'impeachment'.

Na quarta-feira, três dos quatro especialistas em Direito Constitucional ouvidos pelo Comité Judiciário consideraram que as tentativas de Donald Trump para pressionar o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, a investigar o filho de um seu rival político, Joe Biden, são motivo suficiente para destituição.

O quarto jurista, o único convocado pelos Republicanos, alertou para as falhas do inquérito de destituição, considerando que ele apresenta riscos, por estar demasiado baseado em informações em segunda mão.

Os artigos de destituição deverão referir que Donald Trump procurou obter ganhos políticos pessoais, para a sua recandidatura presidencial em 2020, abusando do exercício do seu cargo na Casa Branca, ao ameaçar reter uma importante ajuda financeira à Ucrânia se o Governo de Zelenskiy não investigasse o filho do seu adversário eleitoral.

Mas este argumento está a dividir profundamente os dois partidos no Congresso, com os Democratas a dizer que não existem dúvidas sobre os factos que sustentam o 'impeachment' e os Republicanos a alinharem com a tese de Trump de que tudo não passa de uma "caça às bruxas" motivada politicamente para fragilizar as ambições eleitorais do Presidente.

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