Japão

Imperador japonês abdica do trono e marca fim de era

Imperador japonês abdica do trono e marca fim de era

O imperador japonês Akihito abdicou oficialmente do trono esta terça-feira, agradeceu ao povo japonês e desejou que a era do sucessor, seu filho, traga "paz e felicidade" ao Japão e ao mundo.

Akihito abdica do título de imperador após 30 anos de reinado no trono de Crisântemo, que será agora ocupado pelo filho mais velho, o príncipe herdeiro Naruhito, de 59 anos, que se tornará no soberano da mais antiga monarquia reinante do mundo. Ao fim de três décadas sob o império de "Heisei" (Conclusão da paz"), o Japão entrará na nova era imperial "Reiwa" ("Bela harmonia"), à meia-noite de quarta-feira (15 horas de terça-feira em Portugal continental).

Pela primeira vez em dois séculos, um imperador abdica do trono em vida, em virtude de uma lei de exceção escrita especificamente para Akihito, que em 2016 tinha expressado o seu desejo de se afastar de funções, por "não poder exercer de corpo e alma" as tarefas de imperador, devido a problemas de saúde.

"Hoje concluo os meus deveres como imperador", declarou Akihito, no início do seu breve discurso durante a cerimónia, realizada no Palácio Imperial, em Tóquio, diante de 294 participantes, incluindo representantes da família real e do Governo japonês.

Naquelas que foram as últimas palavras enquanto imperador do Japão, Akihito manifestou-se "sortudo" por ter cumprido as suas funções "com um profundo sentimento de confiança e respeito pelo povo", a quem agredeceu o apoio e aceitação.

Esta manhã, as imagens de televisão mostraram o imperador Akihito com um manto tradicional a entrar no principal santuário de Kashikodokoro para comunicar a sua abdicação aos deuses. Numa cerimónia no palácio imperial no final do dia, Akihito anunciará a sua abdicação a outros membros da família real e altos funcionários do Governo.

Naruhito, que se tornará no novo imperador do Japão à meia-noite local, subirá ao trono de crisântemo na quarta-feira e, numa cerimónia separada, herdará o privilégio imperial da espada e da joia, bem como os selos imperiais como prova da sua sucessão como o 126.º imperador do Japão.

Horas antes da cerimónia de abdicação, muitos locais e turistas reuniam-se do lado de fora do complexo do palácio imperial, apesar do tempo excecionalmente húmido e frio e mesmo sem poderem entrar. O povo japonês também está a visitar santuários e templos e realiza outras atividades para marcar marcam o fim da era Heisei.

O secretário chefe do Governo japonês, Yoshihide Suga, disse, esta terça-feira, aos jornalistas que a era do imperador Akihito foi livre de guerras e que o discurso de abdicação foi endossado, expressando agradecimento ao imperador pelo seu firme esforço de estender a mão e apoiar as pessoas durante o seu reinado de 30 anos. "Renovo a minha gratidão ao imperador e à imperatriz do fundo do meu coração", declarou ainda o chefe de gabinete.

O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, agradeceu a Akihit, numa carta, o seu papel no alcance da paz e as contribuições para o desenvolvimento das relações entre Seul e Tóquio. Por seu turno, Donald Trump expressou o seu "apreço" pelo imperador pela sua contribuição nas estreitas relações dos dois países.