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Independentistas catalães vão comemorar o Dia da Catalunha a "dobrar"

Independentistas catalães vão comemorar o Dia da Catalunha a "dobrar"

Os independentistas catalães estão a planear a realização de comemorações a "dobrar" do Dia da Catalunha ("Diada") este ano, com eventos e manifestações tanto a 11 de setembro como no fim de semana de 1 de outubro.

A edição de 2021 do Dia da Catalunha, conhecido como "Diada", a 11 de setembro, terá o slogan "vamos lutar e conquistar a independência", explicou, esta quinta-feira, em Barcelona em conferência de imprensa a presidente da principal associação pró-independência catalã, a Assembleia Nacional Catalã (ANC), Elisenda Paluzie.

A manifestação procura "ativar a frente popular" para a independência e "recuperar as ruas" para "pressionar a frente institucional", acrescentou Paluzie.

De acordo com esta responsável da ANC, o formato atual da manifestação pode ser realizado com as restrições atuais no âmbito da luta contra a pandemia de covid-19, embora ela tenha salientado que respeitarão as medidas impostas pelas autoridades de proteção civil.

Outra dirigente da associação, a coordenadora de comunicação, Adrià Alsina, disse que a ideia desta "Diada" é enfatizar que a independência, "pela sua própria natureza", é "um ato unilateral".

Os eventos previstos para 1 de outubro giram também à volta da ideia de "regresso às ruas", embora não sigam o mesmo formato que a manifestação de 11 de setembro, disse a presidente da ANC, que adiantou que mais detalhes serão dados nas próximas semanas.

Em relação aos atos de 1 de outubro, a ANC quer sublinhar que o referendo ilegal "foi uma vitória épica do povo mobilizado", valorizar a colaboração "decisiva" da "Catalunha do Norte" e "prestar homenagem aos 3300 reprimidos".

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A conferência de imprensa contou também com a presença de Montse Ortiz, membro da direção de uma outra organização independentista, a Òmnium Cultural, que disse que a manifestação de 11 de setembro deveria ser "uma nova demonstração de força" da sociedade catalã.

O Dia da Catalunha ("Diada") assinala a conquista de Barcelona pelo rei de Espanha Filipe V em 1714, depois de um cerco de 14 meses. Esse dia tem sido utilizado nos últimos anos para defender a causa da independência, com imagens, que passam em televisões de todo o mundo, de uma concentração ordeira e de grandes dimensões.

No ano passado, o dia em que se comemora a "festa nacional" da Catalunha foi marcado por vários atos de vandalismo que afetaram, entre outros, a circulação ferroviária na região. A "Diada" não teve a mesma importância de anos anteriores devido às medidas em vigor de luta contra a covid-19.

A principal exigência do movimento pró-independência é a realização de um referendo sobre a autodeterminação da comunidade autónoma da Catalunha, que tem uma população de 7,8 milhões de habitantes num total de cerca de 47,4 milhões em Espanha.

Em outubro de 2017, o governo regional separatista, liderado então por Carles Puigdemont, realizou um referendo, apesar da oposição do Governo central e da sua proibição pelos tribunais, que foi seguido, algumas semanas mais tarde, por uma declaração unilateral de independência.

O Governo espanhol, na altura nas mãos do Partido Popular (direita), dissolveu o parlamento regional, o que precipitou a queda do Governo catalão, e marcou novas eleições, que foram novamente ganhas pelos partidos separatistas.

Essa tentativa de independência frustrada marcou uma das piores crises políticas em Espanha desde o fim da ditadura de Franco em 1975.

Três anos e meio após a tentativa fracassada de independência, os partidos pró-independência reforçaram novamente, nas eleições regionais de 14 de fevereiro último, a sua maioria absoluta, com 74 dos 135 assentos do parlamento regional.

Num gesto de "reconciliação", o atual Governo de Pedro Sánchez indultou em junho passado os nove líderes pró-independência que tinham sido condenados a penas entre nove e 13 anos de prisão pelo seu papel na tentativa de secessão.

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