Covid-19

Indignação no Chile após governo decidir cobrar 22 euros por testes de coronavírus

Indignação no Chile após governo decidir cobrar 22 euros por testes de coronavírus

O Ministério da Saúde do Chile anunciou na quinta-feira que vai estipular um preço máximo de 20 mil pesos chilenos - o equivalente a cerca de 22 euros - para os testes do novo coronavírus Covid-19. Medida está a causar indignação no país, não só pelo valor anunciado, que equivale em média a dois dias de trabalho, mas também pela abordagem do governo sobre a doença.

O ministro da Saúde chileno, Jaime Mañalich, informou que, para evitar o "abuso" de centros de saúde privados, será publicado esta sexta-feira no Diário da República um valor máximo para os testes de coronavírus, fixado em 20 mil pesos chilenos (cerca de 22 euros).

"O custo para o Estado do Chile é de 12 mil pesos [cerca de 13 euros] por exame. O preço que algumas unidades de saúde privadas estabeleceram para esse exame é 10 vezes [maior que] esse valor", explicou Manalich, citado pelo canal de televisão RT.

Em conferência de imprensa, o ministro da Saúde explicou que o exame é gratuito para pessoas que fazem parte do Fundo Nacional de Saúde (Fonasa), desde que realizem o teste num hospital público, pertençam aos grupos A/B (falta de recursos, com abono de família ou com vencimento mensal inferior a 278 euros), bem como para a população acima de 60 anos.

Para as pessoas que decidem fazer o exame numa clínica sob o sistema de Modalidade de Escolha Livre (na qual o beneficiário escolhe o profissional e a entidade registada no Fonasa), o custo máximo que a pessoa pagará não pode exceder os 14 mil pesos (cerca de 15 euros) no pagamento partilhado com o Fonasa.

Sobre o alerta da chegada do coronavírus ao Chile e o aumento dos preços dos exames, Manalich afirmou que "é uma situação propícia ao abuso, que não pode ser permitida".

No entanto, o valor máximo estipulado para a realização dos testes do coronavírus, tanto no sistema público do Fonasa como no sistema de saúde privado, causou a indignação de cidadãos que manifestaram a sua opinião nas redes sociais.

O valor máximo de 20 mil pesos chilenos representa para milhares de cidadãos o equivalente a dois dias de trabalho, de acordo com o salário mensal mínimo do país, que até o momento é de 301 mil pesos (cerca de 335 euros).

Alguns utilizadores chilenos do Twitter reclamam que, embora muitos países ofereçam testes gratuitos do coronavírus Covid-19, o governo chileno não garante o acesso da população ao mesmo serviço.

"Uma possível pandemia global e o melhor sistema de saúde pública do mundo cobrar 20 lucas [20 mil pesos] pelo exame. Depois reclamam", ironizou uma pessoa naquela rede social.

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