França

Indignados franceses: a revolução começa à noite

Indignados franceses: a revolução começa à noite

Um grupo de indignados franceses reúne à noite, desde o final de março, em locais emblemáticos de várias cidades do país. Por uma "convergência de lutas", o "Nuit Debout" quer mudar o sistema.

Começaram em março, depois da grande manifestação de Paris a quererem ficar "Acordados toda a noite" (como se pode traduzir o nome do grupo). O movimento de cidadãos "Nuit Debout" teve como primeiro alvo de reivindicação as reformas laborais propostas pelo Governo francês, e quer agora estender a luta ao nível internacional.

De acordo com a agência de notícias "France Presse", nas últimas semanas mais de três mil jovens têm ocupado em permanência a Praça da República, em Paris, e há já confrontos registados com a polícia. Nestas manifestações noturnas cerca de 400 pessoas foram detidas.

Os membros do "Nuit Debout" têm criticado a posição da polícia, que os aconselhou a abandonar as ruas depois da uma da manhã. Os organizadores garantem que o movimento é pacífico e que nos últimos dias se tem discutido sobretudo o escândalo da evasão fiscal que surgiu no âmbito dos "Panama Papers".

Entre os milhares de cidadãos que têm demonstrado publicamente o apoio à iniciativa está o ex-ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, que participou num dos protestos noturnos e aproveitou o momento para criticar a política seguida por François Hollande.

Estes protestos têm já milhares de seguidores nas redes sociais e conseguiram chamar a atenção da comunidade internacional. Registaram-se já protestos solidários a quilómetros de distância, como no Canadá e nos Estados Unidos da América. Para o dia 15 de maio está previsto um protesto noturno internacional, precisamente na data em que se assinala o mega protesto do "15M", ocorrido em Madrid em 2011.

Na sua página do Facebook o movimento explica que junta sindicalistas, trabalhadores, precários, intelectuais, e cidadãos comuns que querem apenas "discutir a mudança".

Nicolas Sarkozy, ex-presidente francês, teve o discurso mais inflamado sobre este movimento de cidadãos. Num discurso proferido em Nice acusou: "Não têm nada no cérebro".