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Em Atenas são eleitos metade dos deputados gregos

Em Atenas são eleitos metade dos deputados gregos

A três dias das eleições na Grécia, o Syriza continua à frente nas sondagens. Mas a distância para a Nova Democracia é escassa. O principal campo de batalha é a região de Atenas, que elege quase metade dos deputados do Parlamento grego.

Aquiles, 25 anos, é um dos muitos voluntários que se concentram no que chama "Centro Eleitoral" do Syriza no distrito central de Atenas. Uma enorme tenda branca, montada sensivelmente a meio da Avenida Stadiou, que liga duas das principais praças da capital: a Syntagma, em que se destaca a sede do Parlamento, e a Omónia, onde hoje terá lugar o comício de encerramento da Coligação de Esquerda Radical.

Desempregado, tal como metade dos jovens gregos (a segunda taxa mais elevada da Europa, depois da recordista Espanha), Aquiles é militante do Syriza desde 2009, quando a coligação valia pouco mais do que 4% dos votos. "Nessa altura éramos um partido pequeno, era tudo muito diferente", admite. Agora, e "pela primeira vez, uma força política de Esquerda pode conquistar o Governo. É também por isso que estas eleições são tão importantes".

A esperança de Aquiles volta a ser confirmada pelas sondagens. Ontem foi conhecida mais uma e os esquerdistas conseguem uma vantagem de 4,5 pontos percentuais sobre a Nova Democracia (do atual primeiro ministro Antonis Samaras): 31,2% contra 27%. O mesmo estudo deixa perceber que a maioria absoluta é praticamente impossível (apesar do bónus de 50 deputados para o vencedor) e aponta para a presença de mais cinco forças políticas no Parlamento: To Potami (centro esquerda, com 6,3%), Partido Comunista (5,5%), Aurora Dourada (extrema direita, com 4,5%), Pasok (socialistas, com 4%) e Gregos Independentes (direita nacionalista, com 3,1%).

Pasok quer coligação

Resultados que levantam de novo a dúvida sobre que tipo de coligação poderá construir o Syriza. Ontem mesmo, numa entrevista à agência noticiosa Reuters, o líder dos socialistas do Pasok manifestou a sua disponibilidade para apoiar um Governo liderado pelos esquerdista, mas impôs duas condições: que a aliança inclua mais partidos e que não haja decisões unilaterais. "Propostas apressadas e amadoras são perigosas, é preciso negociar com a União Europeia e com o FMI", disse Evangelos Venizelos, ministro das Finanças quando se negociou o resgate grego e atual ministro dos Negócios Estrangeiros.

Na tenda do Syriza não passam, no entanto, as declarações de Venizelos. Nem de nenhum outro político que não seja Alex Tsipras. No ecrã gigante ao fundo do auditório improvisado passam em contínuo extratos dos discursos do líder do Syriza. E não é preciso entrar, para o ouvir. Cá fora, os altifalantes asseguram que a mensagem chega a quem passa pela movimentada Avenida Stadiou.