EUA

Trump deseja "o melhor" a assessor acusado de violência doméstica por duas ex-mulheres

Trump deseja "o melhor" a assessor acusado de violência doméstica por duas ex-mulheres

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desejou, esta sexta-feira, "o melhor" para um conselheiro forçado a apresentar a demissão no seguimento de um escândalo que está a abalar o círculo próximo da Presidência.

O secretário-geral da Casa Branca, John Kelly, e a diretora de comunicação do executivo, Hope Hicks, foram envolvidos na polémica que se seguiu à demissão, apresentada na quarta-feira, por Rob Porter, acusado por duas ex-esposas de agressão física e abuso psicológico.

Em particular, critica-se a John Kelly ser conhecedor do passado de Porter, que era secretário do pessoal da Casa Branca, mas tê-lo deixado andar na proximidade de Donald Trump, apesar de o seu registo pessoal não lhe ter permitido obter uma autorização completa para a emissão de credencial de segurança requerida para os empregados do número 1600 da Avenida Pensilvânia.

A Hope Hicks aponta-se a gestão da comunicação em torno deste caso, designadamente um longo silêncio até que as acusações, que o próprio nega e que vieram a público ao mesmo tempo que mantinha uma relação com Porter.

Estes factos, situados numa zona cinzenta, têm levantado nos últimos dias uma série de questões sobre o clima ético e de recrutamento na Casa Branca.

Questionado, esta sexta-feira, sobre a saída de Rob Porter, Donald Trump afirmou ter sido "surpreendido" quando soube "recentemente" da situação.

"Mas desejamos-lhe o melhor (...). É evidentemente um momento difícil para ele. Ele fez um bom trabalho enquanto esteve na Casa Branca", declarou na Sala Oval o multimilionário republicano, lembrando ainda que o seu antigo conselheiro "diz-se inocente, pelo que é preciso lembrar-se disso".

Entre os democratas, o apaziguamento não colheu. "É alarmante que Rob Porter tenha permanecido num lugar de influência, mesmo quando as revelações dos seus abusos conjugais eram aparentemente conhecidas de colaboradores próximos de Trump", denunciou a líder parlamentar dos democratas no Estado do New Hampshire, Ann McLane Kuster.

"As fotos da sua antiga mulher agredida são profundamente perturbadoras", acrescentou, referindo-se às imagens divulgadas de uma das suas antigas esposas, mostrando-a com um olho negro, insistindo: "Temos de saber quem sabia o quê e quando".

É exatamente este tipo de "detalhes" que a Casa Branca recusa dar, afirmou na quinta-feira o porta-voz adjunto do Governo, Raj Shah, sublinhando apenas que John Kelly "não tinha consciência plena das acusações" antes do dia em que Porter apresentou a demissão.

"Muitos de nós não teriam feito melhor", admitiu, na que foi uma rara confissão na Casa Branca de Trump.

Apenas algumas horas antes do ex-conselheiro, de 40 anos, ter apresentado a demissão, o Governo elogiava as capacidades profissionais e a sua integridade.

Para a sua ex-esposa Jennifer Willoughby, em declarações à televisão CNN, este realçar das qualidades profissionais de Porter faz justamente parte do problema.

"Podemos separar o trabalho de um homem da sua vida privada?", questionou Willoughby, que lembra ter vivido num estado de "terror permanente" durante o casamento com Rob Porter.

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