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A Amazónia arde: o fumo vê-se do Espaço e já chegou a São Paulo

A Amazónia arde: o fumo vê-se do Espaço e já chegou a São Paulo

Uma nuvem de fumo e fuligem cobriu São Paulo, no Brasil, segunda-feira ao final do dia, despertando a atenção do Brasil, e agora do mundo, para o problema dos incêndios florestais no país, com particular incidência na Amazónia.

O encontro entre uma frente fria e partículas libertadas por incêndios florestais, que nesta altura do ano proliferam na Amazónia devido a queimadas, fez com que, às 15.30 horas de segunda-feira, o dia escurecesse e a chuva caísse negra do céu em São Paulo. Nas redes sociais, as imagens foram partilhadas para mostrar a preocupação com o ambiente, com questões sobre o pouco destaque dado ao tema nos meios de comunicação. Recorde-se que São Paulo dista cerca de 2700 quilómetros da floresta amazónica brasileira.

Análises realizadas por duas universidades brasileiras, citadas pelo portal G1, confirmam que a água da chuva continha partículas oriundas de queimadas, numa concentração cerca de sete vezes superior à habitual. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), parte destas partículas é "de origem local" e da Amazónia brasileira, mas "outra parte considerável, talvez a predominante, de queimadas de grandes proporções nos últimos dias perto da região da tríplice fronteira da Bolívia, Paraguai e Brasil, no Mato Grosso do Sul".

"A frente fria mudou a direção dos ventos e transportou essa fumaça para São Paulo", explicou ao G1 Josélia Pegorim, meteorologista da Climatempo.

Incêndios a aumentar no Brasil

O número de incêndios no Brasil cresceu 70% este ano, em comparação com período homólogo de 2018, tendo o país registado 66,9 mil focos até ao passado domingo, com a Amazónia a ser a região mais afetada.

De acordo com a imprensa brasileira, que cita dados do "Programa de Queimadas" do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o bioma (conjunto de ecossistemas) mais afetado é o da Amazónia, com 51,9% dos casos, seguindo-se o cerrado - ecossistema que cobre um quarto do território do Brasil - com 30,7% dos focos registados no ano. O cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, ficando atrás em extensão apenas da floresta amazónica, com dois milhões de quilómetros quadrados.

Segundo o portal de notícias UOL, em números absolutos, Mato Grosso é o estado com mais focos de incêndio registados no Brasil, com 13.109, sendo seguido pelo Pará, com 7.975.

No início de agosto, o governo do Amazonas decretou situação de emergência no sul do estado e na Região Metropolitana de Manaus devido ao "impacto negativo da desflorestação ilegal e queimadas não autorizadas".

"O Amazonas registou, de janeiro a julho deste ano, 1.699 focos de calor (focos com temperatura acima de 47°C, registados por satélite, que indicam a possibilidade de fogo). Destes, 80% foram registados em julho, mês em que teve início o período de estiagem", declarou o estado do Amazonas no seu 'site'.

Depois de o Amazonas decretar a situação de emergência, o governo do Acre declarou, na sexta-feira passada, estado de alerta ambiental, também devido aos incêndios em matas.

O número de focos de incêndio no país já é o maior dos últimos sete anos.

Ao jornal Estadão, o pesquisador Alberto Setzer explicou que o clima em 2019 está mais seco do que no ano passado, o que propicia incêndios, mas garante que grande parte deles não têm origem natural.

"Nesta época do ano não há fogo natural. Todas essas queimadas são originadas em atividade humana, seja acidental ou propositada. A culpa não é do clima, ele só cria as condições, mas alguém coloca o fogo", afirmou Setzer.

A expetativa do especialista é que a situação piore ainda mais nas próximas semanas com a intensificação da seca.

O Inpe, órgão do Governo brasileiro que levanta os dados sobre a desflorestação e queimadas no país, foi alvo de críticas recentes por parte do Presidente Jair Bolsonaro, que acusou o Instituto de estar ao serviço de algumas organizações não-governamentais por divulgar dados que apontam para o aumento da desflorestação da Amazónia.

As recentes divulgações do Inpe apontam que a desflorestação da Amazónia cresceu 88% em junho e 278% em julho, comparativamente com o mesmo período do ano passado. No entanto, o Governo brasileiro nega esses dados.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (território pertencente à França).