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A carta da mãe que deixou filho morrer no baloiço

A carta da mãe que deixou filho morrer no baloiço

A mãe que deixou o filho de três anos morrer num baloiço, nos EUA, esteve no funeral da criança e levou uma carta com uma dedicatória. Os pais, que lutaram pela custória de Ji'Aire, deram as mãos durante a cerimónia.

Romechia Simms passou quatro dias internada após ter sido encontrada a empurrar o baloiço do filho, já cadáver, num parque em Southern Maryland, nos EUA.

O funeral da criança foi um momento que uniu o pai, e a mãe, que no início do ano lutavam em tribunal pela custódia de Ji' Aire. Foram vistos, de mãos dadas, a partilhar a dor, no momento em que a criança desceu à terra, no cemitério da Ressurreição, em Clinton, no estado do Massachusetts.

Nas cerimónias foi lida uma carta que Romechia escreveu para Ji' Aire. "Filho, a alegria que trouxeste à minha vida é inexplicável... Sinto tanto a tua falta Ji'Aire, de uma forma que não é possível explicar por palavras", lê-se na missiva.

"Estou lentamente a aceitar a tua morte. Quero que saibas que tive sempre muito orgulho em ti e que vou amar-te até ao fim dos tempos. Ji' Aire Donnell Lee, és fantástico. Amor para sempre, mãe", lê-se na carta, reproduzida pelo jornal norte-americano "The Washington Post" (WP).

O pai também se expressou em palavras escritas, no caso, um poema incluído no programa do funeral, em que agradece a Deus a dádiva que é um filho, chora a partida da criança e termina com a certeza de um reencontro celeste:

"Ele vai estar de braços abertos/E a espera vai valer a pena/quando voltarmos a ver o nosso precioso filho/e o esplendor do sorriso dele", escreveu James "Donnell" Lee, que partilhava a guarda de Ji'Aire com a mãe, após três meses de batalha judicial pela guarda da criança.

Quando deu entrada com um processo a pedir a custódia de Ji'Aire, em março, o pai dizia estar preocupado com o estado de saúde mental de Romechia e alegava que a mãe da criança tinha saltado de um táxi em andamento.

Romechia respondeu em abril. Argumentou que tinha sofrido uma depressão, mas que tinha feito tratamento, tinha recuperado e sentia-se em condições de criar J'Aire.

Numa audiência a 11 de maio, os pais concordaram com a custódia partilhada do menino. Ji'Aire ficava com a mãe à semana e com o pai ao fim-de-semana.

O juiz do tribunal Superior de Washington, Peter A. Krauthamer, perguntou, durante a audiência, se havia alguém incapaz de cuidar da criança. "Não há ninguém incapaz", respondeu James "Donnell" Lee.

Bastaram 11 dias para tudo mudar. Ji"Aire foi encontrado morto na manhã de 22 de maio. Agora, a autópsia concluiu que a criança, de três anos, morreu de desidratação e frio. Os investigadores indicaram que a mãe e o filho estiveram cerca de 44 horas no parque. As autoridades garantem que o menino estava vivo quando foi posto no baloiço.

Vontasha Simms, mãe de Romechia diz que a filha sofreu um episódio psicótico e acredita que esta jamais faria mal ao neto.

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