Salvamento

A difícil tarefa de resgatar as crianças presas em gruta da Tailândia

A difícil tarefa de resgatar as crianças presas em gruta da Tailândia

Nove dias depois de serem dados como desaparecidos, os doze rapazes, assim como o treinador, foram encontrados vivos nas grutas de Tham Luang-Khun Nam Nang Non, na província de Chiang Rai, no norte da Tailândia, na segunda-feira. Agora, as autoridades estão a tentar perceber como podem retirar a equipa de futebol juvenil em segurança.

A principal dúvida está entre retirar os doze rapazes e o treinador de imediato ou esperar que o nível da água no interior da gruta diminua. A primeira possibilidade é a mais arriscada. Até porque nenhum dos jovens está preparado para mergulhar. A segunda, embora seja a mais segura, pode levar meses. Riscos como a falta de luz ou de água potável tornam a tarefa mais complicada.

Esperar, perfurar ou drenar. Qual a melhor opção?

A verdade é que não há soluções simples para resolver o problema. Anmar Mirza, coordenador da comissão norte-americana para resgates em grutas, disse, em conferência de imprensa, logo após o anúncio de que os desaparecidos estavam vivos, que tudo vai depender da chuva nas próximas semanas.

Retirar as treze pessoas agora é a opção mais perigosa mas também a mais rápida. Tudo depende das condições de segurança e de saúde. "Se eles estiveram bem, a melhor opção será alimentá-los e protegê-los enquanto outras opções estão a ser estudadas", adiantou o responsável.

Uma dessas opções passa por drenar a água do interior da gruta. Narongsak Osottanakorn, governador da província de Chiang Rai, explicou aos jornalistas que as equipas de emergência vão continuar a retirar água da gruta. Esta foi uma das estratégias usadas logo após o desaparecimento.

Outra das estratégias que está a ser equacionada é a perfuração das rochas no local. Mas a tarefa não é nada simples. Primeiro, porque o local onde os jovens estão está no interior da floresta e não há acessos. A construção de novas infraestruturas capazes de aguentar a maquinaria para perfurar as rochas levaria semanas. Além disso, nada garante que a perfuração seja bem sucedida.

"Parece algo simples mas é muito complicado. É como procurar uma agulha no palheiro", disse Anmar Mirza.

Retirar agora é opção "perigosa e arriscada"

Uma das prioridades passa por levar uma equipa médica para o local onde estão os doze rapazes e o treinador. Até porque só depois da avaliação por parte dos médicos é que se poderá saber com toda a certeza se é possível retirar as treze pessoas em segurança. "Se os médicos disserem que eles estão bem para serem retirados, então vamos fazer de tudo para que deixam as caves", disse Narongsak Osottanakorn.

No exterior do complexo já está montado um hospital de campanha pronto para receber a equipa de futebol que foi dada como desaparecida há dez dias. Mas a extração dos jovens não é simples e pode colocar em risco a vida das pessoas.

Butch Hendricks, um veterano americano especialista em mergulho, explicou, ao "The Guardian", que o principal problema prende-se com o facto de nenhum dos rapazes estar preparado para mergulhar. Para o mergulho seria necessário equipamento específico para evitar hipotermia. Além disso, as passagens na gruta são muito estreitas e só poderia ser extraída uma pessoa de cada vez.

Os três mergulhadores de elite britânicos demoraram várias horas até encontrarem o grupo de desaparecidos, na segunda-feira. A falta de visibilidade, que em certos locais é mesmo de zero, aliada às passagens estreitas, foram os principais problemas sentidos pelos especialistas.

Para que todos conseguissem sair seria preciso levar material de mergulho até ao local onde estão. O material, já de si pesado, seria transportado em condições difíceis que poderiam colocar em risco a vida dos mergulhadores.

"Esta deveria ser a última opção por ser muito perigosa e arriscada", disse Edd Sorenson, especialista norte-americano em resgates subaquáticos, à BBC.

Evacuação poderá levar meses

Dependendo da opção tomada, o processo de resgate poderá levar até três meses. A variável que vai determinar o tempo até ao resgate do grupo é mesmo o tempo. Se a chuva se mantiver, a retirada vai demorar mais tempo.

Nas próximas horas, serão enviados mantimentos para garantir as condições mínimas de segurança do grupo. "Vamos enviar comida extra para pelo menos quatro meses e treinar os 13 membros do grupo para mergulhar, enquanto continuam a evacuar a água" da rede subterrânea, disse o capitão Anand Surawan, da marinha tailandesa, citado pelas Forças Armadas do país.

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