Tiziana Cantone

A gota que levou à morte mulher acossada por vídeos de sexo na Net

A gota que levou à morte mulher acossada por vídeos de sexo na Net

Tiziana Cantone suicidou-se, terça-feira, após 18 meses de batalhas legais para retirar da Internet seis vídeos de cariz sexual. A gota de água foi uma conta de cerca de 20 mil euros, de custas judiciais.

Tiziana pagou coma vida, queimada em lume brando durante 18 meses nas redes sociais e depois terminada pelas próprias mãos, aos 31 anos, o erro de enviar para "amigos virtuais" vídeos de cenas sexuais filmadas pelo namorado.

Após ano e meio de vida em frangalhos a tentar acabar com a devassa da vida privada, Tiziana Cantone conseguiu uma vitória: o Facebook reconheceu-lhe o direito ao esquecimento. Triunfo de Pirro, para Tiziana, que se suicidou depois.

A gota que fez transbordar o sangue foi vertida pela burocracia italiana: uma conta de 20 mil euros de custas judiciais acumuladas durante os meses de luta na Justiça para remover da Net os vídeos e processar os culpados da devassa e os piores entre os muitos que a insultaram e maltrataram, revela a imprensa italiana.

Quatro homens foram formalmente acusados por Tiziana. Dois irmãos de Reggio Emilia, identificados na imprensa italiana como Antonio e Enrico Iacuzio, um Brindisi, Cristiano Rollo, e um outro identificado como Antonio Villano.

A procuradoria de Nápoles abriu uma investigação por "indução de suicídio" em que procura apurar a responsabilidade destes quatro homens na morte de Tiziana.

Na denúncia revelada nos media italianos não aparece o nome do namorado, acusado pela mãe da jovem de divulgar os vídeos para pressionar Tiziana a ficar com ele.

"Estás a filmar? Bravo" A frase, que alegadamente se ouve num dos seis vídeos de Tiziana que entraram no circuito pornográfico mundial, foi ridicularizada por muitos utilizadores da Net e reproduzida em t-shirts ou capas para telefone.

Ilustra o ponto a que chegou a devassa da vida de Tiziana, que um dia caiu no erro de aceitar um desafio da Interet: partilhar vídeos da cariz sexual com "amigos virtuais". As imagens disseminaram-se pela rede comeram-lhe a vida.

Envergonhada, acossada, Tiziana entrou em depressão. Deixou de sair de casa, de fazer compras, ir ao ginásio. Tinha medo. Mudou de casa, de região em Itália, e tentou mudar de nome, esquecer a identidade de 30 anos e transformar-se em alguém livre das línguas viperinas virtuais.

Não conseguiu. Ensombrada por páginas em sites pornográficos perfis falsos no Facebook que serviam para divulgar os vídeos, Tiziana pôs termo à vida. A de carne e osso. A virtual continua por aí, a ser insultada, maltratada e devassada.

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