Eleições

Espanha: A insustentável leveza da incerteza

Espanha: A insustentável leveza da incerteza

Ultrapassado o sistema de dois partidos, chegou a era dos dois blocos políticos. Os espanhóis votam, este domingo, nas eleições mais incertas da sua história, com uma única certeza: a formação que ganhar terá de fazer pactos com um ou mais partidos para formar Governo.

Com o cenário partidário mais fragmentado de sempre, parece certo que o próximo Executivo será, pela primeira vez, de coligação.

Nas últimas horas de campanha, o atual primeiro-ministro, Pedro Sánchez (PSOE), admitiu que o Podemos poderia ter ministérios num Governo liderado pelos socialistas, enquanto que Pablo Casado (Partido Popular), admitiu incluir o Vox no seu Executivo, além do Ciudadanos.

No entanto, com as últimas sondagens a apontarem para um empate técnico entre o bloco da Direita e o da Esquerda (os últimos estudos já foram publicadas há uma semana), tudo está em aberto para a votação de hoje. Claramente mais próximos de Sánchez do que das "três direitas", os partidos regionais bascos e catalães poderão acabar por ter a chave do Palácio da Moncloa. Mas o equilíbrio de forças poderá ser tal que muitos analistas temem um novo cenário de instabilidade ou mesmo de repetição de eleições, como aconteceu no período 2015-2016.

Se a grande coligação ao estilo alemão é impensável, um cenário não descartado é o da aliança entre PSOE e Ciudadanos. Apesar de Albert Rivera insistir que quer "expulsar os socialistas" do Governo, há vozes (a mais sonante é a de Pablo Iglesias) que acreditam que o candidato laranja poderá acabar por fazer um acordo com Sánchez.

Por sua vez, o ainda presidente do Governo tem sido o mais contundente nos avisos ao perigo que representa para Espanha a ascensão da extrema-direita. "Um deputado pode ser a fronteira entre o avanço e o retrocesso", alertou o candidato no fecho da campanha socialista.

vox histórico?

Sendo certo que Espanha vai somar-se, hoje, à onda da extrema-direita que percorre a Europa, a incógnita prende-se com o nível de apoio que conseguirá Santiago Abascal. Anteontem, à noite, o evento de fim de campanha do Vox protagonizou a maior enchente. Segundo a organização, 20 000 pessoas rumaram à emblemática madrilena Praça de Colón (onde se costumam celebrar as vitórias da seleção de Espanha e onde, há poucas semanas, "as três direitas" se juntaram numa manifestação pedindo a demissão de Sánchez). "À ditadura progressista só lhe restam 48 horas", afirmou um confiante Abascal, entre gritos de "Viva Espanha".

As sondagens atribuem-lhes entre 11% e 13%, mas a possível existência de "voto oculto" poderá esconder uma votação ainda mais expressiva para o partido. Por isso, a formação ultra poderá ser a responsável por "destruir a Direita ou por levá-la ao Governo", assinalava, ontem, o jornal "El País", sublinhando que, apesar de retirar votos ao PP, o Vox poderá fazer de Pablo Casado primeiro-ministro.