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A primeira demissão no governo de Bolsonaro

A primeira demissão no governo de Bolsonaro

O presidente brasileiro demitiu o ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, suspeito de transferências monetárias relacionadas com "candidatos fantasma", naquela que é a primeira baixa do executivo que está em funções desde janeiro.

"O presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, decidiu exonerar hoje, do cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno Rocha. O presidente da República agradece a sua dedicação à frente da pasta e deseja sucesso na sua nova caminhada", declarou o porta-voz da Presidência brasileira, acrescentando que a demissão é do "foro íntimo" do chefe de Estado. Segundo o porta-voz, Otávio Rêgo Barros, o substituto será o general da reserva Floriano Peixoto Neto.

Posteriormente, Jair Bolsonaro afirmou, num vídeo partilhado nas redes sociais, que o motivo da exoneração deveu-se a "diferentes pontos de vista sobre questões relevantes".

"Comunico que desde a semana passada, diferentes pontos de vista sobre questões relevantes trouxeram a necessidade de uma reavaliação. Avalio que pode ter havido incompreensões em questões mal-entendidas de parte a parte, não sendo adequados pré-julgamentos de qualquer natureza", afirmou Bolsonaro.

Apesar de Gustavo Bebianno estar alegadamente envolvido em transferências monetárias relacionadas com "candidatos fantasma", o chefe de Estado brasileiro afirmou que continua a acreditar na "seriedade" do agora ex-ministro.

"Tenho de reconhecer a dedicação e o comprometimento de Gustavo Bebianno à frente da coordenação da campanha eleitoral em 2018. O seu trabalho foi importante para o nosso êxito. (...) Continuo a acreditar na sua seriedade e na qualidade do seu trabalho", frisou o Presidente.

Gustavo Bebianno torna-se, assim, o primeiro governante a deixar o executivo de Bolsonaro, após ter sido o protagonista da primeira crise que o atual Governo enfrenta.

Na última semana, o jornal brasileiro "Folha de S.Paulo" noticiou que o Partido Social Liberal (PSL), de Jair Bolsonaro, atribuiu 400 mil reais (95 mil euros) a uma candidata a deputada federal em Pernambuco três dias antes das eleições e que teve apenas 274 votos.

Segundo o mesmo jornal, o dinheiro terá sido entregue à candidata a pedido do agora demitido Gustavo Bebianno que, à data, era presidente do PSL.

A descoberta da transação colocou em causa a utilização de verbas públicas do fundo partidário para "candidaturas fantasma" no PSL, já que não foi comprovado como terá sido gasta a verba ou se a candidata beneficiada chegou a fazer campanha.

Na quarta-feira, Bolsonaro declarou numa entrevista à TV Record que Bebianno teria de "voltar às origens" se o seu envolvimento em atos ilícitos fosse provado e acrescentou que determinou à Polícia Federal investigar as suspeitas. "Se estiver envolvido, logicamente, e responsabilizado, lamentavelmente o destino não pode ser outro a não ser voltar às suas origens. Em nenhum momento conversei com ele", garantiu o presidente brasileiro.

Também um dos filhos de Jair Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, envolveu-se na polémica, acusando Gustavo Bebianno de mentir.

Antes de este caso ter sido tornado público, outro membro do partido do presidente brasileiro foi acusado de ter desviado verbas públicas em "campanhas fantasma".

Em 10 e fevereiro, o "Folha de S. Paulo" noticiou que o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, terá organizado um esquema de quatro "candidaturas fantasma" em Minas Gerais com verbas públicas do PSL, num caso que está também sob investigação.

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