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Administração Trump acusada de promover a caça furtiva

Administração Trump acusada de promover a caça furtiva

O presidente do Botsuana, Ian Khama, acusou o homólogo norte-americano, Donald Trump, e a respetiva administração de promover a caça furtiva.

Segundo a EFE, Khama fez as acusações ao discursar numa conferência sobre a conservação do elefante africano que decorre desde sexta-feira em Kasane, junto à fronteira do Botsuana com a Namíbia (faixa de Caprivi), Zâmbia e Zimbabué.

Na intervenção, o presidente do Botsuana, o país com maior população de elefantes do mundo, criticou "veementemente" a "chocante decisão" aprovada pela administração Trump destinada a flexibilizar as normas de importação de partes de animais como "troféus de caça".

Em concreto, Khama referiu-se ao memorando aprovado a 01 deste mês em que é especificado que os Estados Unidos flexibilizaram as normas da importação de vários troféus de elefantes a partir de seis países africanos -- África do Sul, Botsuana, Namíbia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué.

"Esta administração [a norte-americana] está a minar os nossos esforços e também a promover a caça furtiva. E está consciente de que as nossas leis proíbem a captura ou caça de animais como troféus", vincou.

Sexta-feira, os Governos e representantes de 32 países africanos assinaram uma petição dirigida à União Europeia (UE) a pedir a proibição de todo o comércio de marfim, responsável anualmente pela caça ilegal de 20 a 30 mil elefantes.

A petição, defendida por mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, foi avançada pela organização da sociedade civil Avaaz e assinada, além de Khama, pelos presidentes do Uganda (Yoweri Museveni) e Gabão (Ali Bongo Ondimba), pelo governo do Quénia e pela Coligação do Elefante Africano, que inclui representantes dos restantes 28 países.

Em 2017, Bruxelas proibiu a exportação de marfim em bruto para os países da UE, excetuando peças destinadas à investigação ou à educação.

No entanto, a Ayaaz contestou o facto de a União Europeia ser o maior exportador legal de marfim e que lidera um mercado "crescente" -- em 2014 e 2015, segundo dados da organização protetora das espécies ameaçadas, a UE exportou 1.258 presas de marfim.

Por essa razão, a Ayaaz pediu ao comissário europeu para o Meio Ambiente, Karmenu Vella, e aos líderes dos governos dos "28" que proíbam o comércio de marfim e as exportações de todo o tipo de presas e que apoiem um veto mundial a essa prática.

A 31 de dezembro último, entrou em vigor na China a proibição total do comércio de marfim, o que pressupõe o encerramento definitivo daquele que sempre foi o maior mercado mundial das presas.

Segundo dados da Ayaaz, entre 2007 e 2014, a caça furtiva acabou com quase um terço dos elefantes da savana africana.

Os grupos defensores dos animais estimam que os caçadores furtivos matam anualmente cerca de 30 mil elefantes apenas para obter as respetivas presas, fazendo temer pela sobrevivência da espécie a longo prazo.