África

Alemanha co-responsabiliza a China pela fome no Corno de África

Alemanha co-responsabiliza a China pela fome no Corno de África

O delegado do governo alemão para os assuntos africanos, Gunter Nooke, acusou a China de co-responsabilidade na fome no Corno de África, "porque muitos investidores chineses compram terras e retiram aos pequenos agricultores a base de existência".

De acordo com as organizações humanitárias, cerca de 12 milhões de pessoas no continente africano enfrentam a maior seca dos últimos 60 anos, que atinge sobretudo a Somália, Etiópia, Quénia, Djibuti, Uganda e Sudão.

Em entrevista ao jornal "Frankfurter Rundschau", Gunter Nooke deu o exemplo da Etiópia, onde grandes superfícies de terra foram compradas por investidores estrangeiros ou vendidas ao Estado chinês.

"Isso pode ser muita interessante para algumas elites africanas, mas para grande parte da população seria melhor que os governos locais se preocupassem em criar estruturas de produção agrícolas", disse o político democrata-cristão.

Gunter Nooke sublinhou que "nem tudo o que a China faz em África é mau", mas produzir víveres apenas para exportação, como os investidores chineses fazem nos terrenos adquiridos, "pode provocar graves conflitos em África, se os pequenos agricultores ficarem sem as terras que são a base da sua subsistência", advertiu.

Para combater a fome em África, é necessário ir além da pequena produção agrícola e criar, por exemplo, sistemas de irrigação e de armazenamento modernos, o que é caro, reconheceu.

"Queremos promover estas medidas a nível internacional", sublinhou o delegado, lembrando que o governo alemão aumentou de 15 para 30 milhões de euros, no princípio da semana, as ajudas para colmatar as consequências da seca em vários países africanos, e para ajuda alimentar.

A chanceler alemã Angela Merkel visitou este mês três países africanos - Quénia, Angola e Nigéria - e o combate à fome também foi abordado nas conversações que manteve com os respectivos governos, mas as notícias da digressão foram dominadas pela intenção de exportar corvetas para Angola, por exemplo.

Os industriais alemães têm hesitado em investir em África, receando os riscos, ao contrário da China, cuja presença é cada vez maior no continente negro.

Mais de um milhão de chineses vive em África. Pequim tem concedido avultados empréstimos, assinado numerosos contratos de exploração e construção e feito muitas encomendas a Estados africanos.

O predomínio da China em África levou mesmo a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, a advertir já para um "novo colonialismo chinês", centrado na apropriação dos recursos naturais.

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