Roménia

Alexandra chamou três vezes a Polícia. Foi morta pelo homem a quem pediu boleia

Alexandra chamou três vezes a Polícia. Foi morta pelo homem a quem pediu boleia

O homicídio de uma adolescente de 15 anos, que ligou insistentemente para as autoridades antes morrer, espoletou uma tempestade política na Roménia, que destituiu o chefe máximo da Polícia do país e outros responsáveis que demonstraram falhas na atuação.

Alexandra foi sequestrada na quarta-feira passada por um condutor, na cidade de Caracal, Olt, quando pedia boleia para voltar a casa, em Dobrosloveni, no mesmo distrito do sul da Roménia, indicaram as autoridades. Na quinta-feira de manhã, a menor conseguiu efetuar três chamadas para o 112 (número europeu de emergência) e dar pistas acerca do lugar onde se encontrava sequestrada. "Venham, venham", gritou aos polícias, antes de a comunicação ser interrompida.

As informações foram confessadas pelo então chefe da Polícia, Ioan Buda, entretanto destituído pelo ministro do Interior do país, devido a uma série de erros cometidos por aquela força de segurança. "Propus a demissão do chefe da Polícia e do autarca do distrito de Olt (...) porque fazem falta medidas drásticas", justificou Nicolae Moga, que também demitiu o chefe da Polícia local.

Segundo membros da família da vítima, citados pelo jornal espanhol "El Mundo", as autoridades encararam o caso com leviandade, tendo intervindo tardia e erroneamente.

Encontrada morta 19 horas depois

Depois de terem feito buscas em três lugares errados, os agentes destacados para o caso conseguiram finalmente encontrar a casa do suspeito, Gheorghe Dinca, de 65 anos, mecânico, que tinha sido descrita pela adolescente numa das chamadas. Tinham-se passado mais de 12 horas desde os telefonemas.

Os polícias solicitaram então um mandado de busca e aguardaram, durante a madrugada de sexta-feira, antes de entrarem na casa do mecânico, cumprindo assim normas legais, que não seriam necessárias, por se tratar de um caso de emergência, escreve o jornal. Quando entraram na habitação, os agentes encontraram "restos humanos" dentro de um recipiente e joias pertencentes à menor. No total, tinham-se passado 19 horas desde a última comunicação com Alexandra, que morreu às mãos do sequestrador.

Interrogado no lugar do crime, o suspeito recusou responder a quaisquer perguntas.

Caso chegou ao presidente do país

"Há que esclarecer a razão pela qual as autoridades esperaram", declarou o procurador-geral interino, Bogdan Licu, em declarações a uma televisão local. "Morreu uma menina que, segundo todos os indícios, poderia ter sido salva".

O homicídio motivou também uma reação do presidente do país, Klaus Iohannis, que considerou serem "obrigatórias as demissões de todos aqueles que geriram mal o caso, de consequências dramáticas", criticando o responsável pelo serviço de telecomunicações especiais por não ter localizado com precisão o local de onde as chamadas tinham sido feitas.

De acordo com a Polícia, uma outra adolescente, cujo desaparecimento foi denunciado pelos pais há três meses, na mesma região, poderá ter sido vítima do mesmo suspeito.