Espanha

17 anos separam a morte de Amanda e Ana Lúcia. O assassino é o mesmo

17 anos separam a morte de Amanda e Ana Lúcia. O assassino é o mesmo

Salvador Ramírez suicidou-se na última semana, depois de matar à facada a companheira, Ana Lúcia Silva Sepulchro, em Córdoba, Espanha. Foi o ponto final numa vida de violência de um homicida que, em 2002, tinha matado com requintes de malvadez a mulher com quem tinha três crianças, Amanda del Carmen Cabeza.

Não sabemos muito sobre Salvador até 2002. Tinha três filhos e era casado com Amanda, mas a relação era violenta. Farta de ser o alvo da fúria do marido, a mulher queria mudar de vida e revelou que iria pedir o divórcio, mas tal ousadia pareceu enraivecer ainda mais o companheiro, que, cerca de um mês depois, pôs termo à vida da companheira, revela o jornal espanhol "El Pais".

"Foi um ataque violento e brutal. Depois de uma luta, atou um cordão ao pescoço, apertou-o com firmeza, partindo-lhe a traqueia e deixando-a inconsciente. Arrastou-a para a casa de banho e atirou-a para a banheira cheia de água, onde morreu afogada", relata o procurador Emilio lledó, da região de Cádiz. Ramiro passou cerca de 15 anos na prisão e, nesse período, até frequentou um curso para o ajudar a controlar o ímpeto violento. Parecia que a reinserção na sociedade iria correr bem, mas tudo se desmoronou na última semana.

Munido de uma faca, matou Ana Lúcia, uma mulher brasileira de 49 anos que se encontrava em Espanha há cerca de um ano, no quarto que ambos partilhavam em Córdoba. Depois, pegou fogo ao apartamento, cometendo suicídio. Os corpos foram encontrados pelos bombeiros que acorriam ao que pensavam ser apenas um incêndio numa casa.

Em Espanha, pergunta-se como foi possível que o tribunal permitisse que Salvador tivesse saído em liberdade condicional ainda antes de ter cumprido os 17 anos de cadeia a que tinha sido condenado. Segundo ordem do tribunal, teria de viver num abrigo gerido pela Cáritas, mas tal não acontecia, depois de este ter feito um requerimento a pedir autorização para viver normalmente em sociedade.

Ana Lúcia tinha quatro filhas, uma delas vivia em Espanha com a mãe e encontrava-se na escola no momento do crime. Foi entregue a uma tia que vive na região. Segundo relatam os jornais espanhóis, a mulher sabia do passado violento do companheiro, mas acreditava que estaria reabilitado. Segundo números citados pelo "El Pais", a taxa de reincidência no crime de violência doméstica é de 25% em Espanha, apesar de não existirem dados sobre homicídios reincidentes neste contexto.