EUA

Bexiga impressa em 3D dá vida normal a jovem

Luke Massela

Foto Facebook

Luke Massella foi um dos primeiros casos de sucesso de órgãos feitos a partir da impressão 3D. A cirurgia (ainda experimental) foi há mais de dez anos e Luke, entrevistado agora pela BBC, garante que tem uma vida "quase" normal.

Luke Massella nasceu com espinha bífida e, aos dez anos, já tinha sido submetido a dezena de cirurgias e superado as expectativas dos médicos que achavam que ele nunca andaria.

Entretanto, com dez anos, uma disfunção na bexiga fez com que os rins começassem a falhar e aumentou a possibilidade de Luke ter de fazer diálise para o resto da vida.

No Hospital Infantil de Boston, o cirurgião empreendedor Anthony Atala - pioneiro no desenvolvimento de tecidos e órgãos de substituição em laboratório - retirou uma amostra da bexiga de Luke. Durante dois meses, uma nova bexiga foi crescendo em laboratório a partir dessa amostra, e depois aperfeiçoada numa impressora 3D, antes de ser colocada em substituição do órgão com a disfunção. "Foi quase como receber um transplante de bexiga, mas a partir das minhas células, então, não tens de lidar com a rejeição", explicou Luke.

"Quase consegui viver uma vida normal depois", sublinhou o jovem, que, antes dos 13 anos, já se tinha submetido a 17 cirurgias, e que não viu mais o interior de uma sala de operações, depois da ter colocado a bexiga nova.

"Passei a fazer mais coisas. Podia fazer luta-livre na escola, fui capitão da equipa e podia ser uma criança normal com os meus amigos", segundo relatos do jovem durante uma passagem pelo evento de partilha de conhecimento e histórias inspiradoras TED.

O jovem está agora na Universidade de Connecticut e garante que esta cirurgia lhe "salvou a vida".

"Bioimpressão": os transplantes do futuro

O método utilizado pelo cirurguião Anthony Atala envolveu a "bioimpressão", que consiste na utilização da impressão 3D de tecidos desenvolvidos em laboratório a partir de células da pessoa que necessita do novo órgão.

Anthony Atala, em declarações à BBC, explicou que a "bioimpressão" ajuda a estruturar o órgão de uma forma mais precisa, consistente e económica, mas é também preciso "saber fazê-los à mão". Estruturas mais "planas", como a pele, são mais fáceis de imprimir do que "vasos sanguíneos ou uretras", segundo afirmou o cirurgião, mas os mais difíceis são mesmo órgãos como o coração, pulmões e rins, que têm "muitas mais células por centímetro".

Steven Morris, diretor-executivo de uma startup de uma "bioimpressora" explicou, também à BBC, que este método irá resolver a "enorme falta de oferta" de órgãos para transplantes e, ao mesmo, tempo, acabarão com a necessidade de utilizar medicamentos imunossupressores anti-rejeição. Além disso, as impressoras mais especializadas podem ainda reproduzir tumores, o que permitirá aos médicos testar tratamentos, de acordo com Erik Gatenholm, diretor-executivo de outra start up de uma "bioimpressora".

Luke faz parte das dez pessoas que vivem, atualmente, com uma bexiga substituta desenvolvida a partir das suas próprias células. Este método não está ainda à disposição de qualquer pessoa, uma vez que, nos EUA, por exemplo, ainda está a passar por testes clínicos para ser aprovado pela Gestão norte-americana de Alimentação e Drogas.