Notre-Dame

Reconstrução: Os primeiros donativos de milhões e os apelos dos líderes da UE

Reconstrução: Os primeiros donativos de milhões e os apelos dos líderes da UE

O grupo de marcas de luxo LVMH e a família Arnault anunciaram uma doação de 200 milhões de euros para o fundo dedicado à reconstrução da Notre-Dame, depois de um incêndio ter devastado a catedral na segunda-feira.

"A família Arnault e o grupo LVMH, em solidariedade para com esta tragédia nacional, associam-se à reconstrução desta catedral extraordinária, símbolo da França, sua herança e sua unidade", escreve, em comunicado, o grupo, que detém marcas como a Louis Vuitton, a Dior, a Bvlgari e a Marc Jacobs.

A família Pinault, dona do grupo de luxo Kering, o segundo grupo mundial no setor do luxo e que detém marcas como a Gucci, a Yves Saint Laurent e a Boucheron, já tinha anunciado durante a noite uma doação de 100 milhões de euros.

A família herdeira do grupo L'Oréal, Bettencourt-Meyers, e a multinacional francesa de cosmética anunciaram uma doação de 200 milhões de euros.

O grupo petrolífero Total também anunciou uma doação de 100 milhões de euros.

O incêndio que devastou a catedral de Notre-Dame, em Paris, foi declarado extinto, esta terça-feira de manhã. As chamas, que deflagraram cerca das 18.50 horas (17.50 em Portugal continental) de segunda-feira, danificaram toda a estrutura da catedral de Notre-Dame, um dos edifícios icónicos de Paris e da arte gótica.

Os líderes das principais instituições da União Europeia manifestaram esta terça-feira a sua solidariedade com França na sequência do incêndio na catedral de Notre-Dame e a vontade de participar nos esforços de reconstrução do monumento gótico.

Num debate no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, sobre os resultados da cimeira de líderes da UE da semana passada, os presidentes da assembleia, António Tajani, do Conselho Europeu, Donald Tusk, e da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, iniciaram as suas intervenções com palavras de pesar pelo incêndio da véspera que destruiu parcialmente um dos grandes símbolos de França e da Europa, afirmando-se "feridos no coração".

Apontando que o devastador incêndio é "uma ferida que não vai passar rapidamente", António Tajani defendeu que "todos se devem empenhar" e avançou com a ideia, que lhe foi proposta por um eurodeputado, de "recolher dinheiro hoje" entre os parlamentares europeus.

"Vamos pôr uma caixa no exterior do plenário, podemos pôr o que ganhamos hoje, para enviar uma mensagem de solidariedade (...) Conto convosco. Penso que essa mensagem do Parlamento Europeu vai fazer bem à França, aos franceses e a todos os europeus", sugeriu.

Por seu lado, Donald Tusk começou por deixar "palavras de conforto e solidariedade" a França, apontando que o fazia "não apenas como presidente do Conselho Europeu, mas também como cidadão de Gdansk, (cidade polaca) 90% destruída e queimada", durante a II Guerra Mundial, "mas posteriormente reconstruída".

"Vocês também irão reconstruir a vossa catedral. De Estrasburgo, a capital francesa da União Europeia, apelo aos 28 Estados-membros a participarem nesta tarefa. Eu sei que França poderia fazê-lo sozinha, mas o que está aqui em jogo é mais do que ajuda material. O incêndio da catedral de Notre Dame fez-nos voltar a ter noção de que aquilo que nos liga é algo mais importante e mais profundo do que os Tratados. Hoje entendemos melhor o quanto podemos perder, e queremos defendê-lo, juntos", declarou o dirigente polaco.

Também Jean-Claude Juncker iniciou a sua intervenção afirmando que segunda-feira "foi um dia terrível para todos que amam a França e que amam Paris", pois o incêndio foi "uma tragédia não apenas arquitetónica".

"Dói no coração. Ontem, uma parte importante da França foi gravemente ferida. A Europa foi ferida, nós fomos feridos, e estamos solidários com os nossos amigos franceses", disse.

A presidente da Liga Francesa de Futebol (LFF), Nathalie Boy, disse que o futebol gaulês vai mobilizar-se para ajudar financeiramente na reconstrução da catedral de Notre-Dame.

"O mundo do futebol francês vai mobilizar-se para poder ajudar financeiramente na reconstrução da catedral, que faz parte do nosso património", afirmou Nathalie Boy.

A presidente da LFF referiu que "a ajuda vai ser coordenada com todos os agentes do futebol francês".

A Procuradoria de Paris indicou que os investigadores estavam a considerar o incêndio como um acidente, referindo que a polícia vai avançar com uma investigação por "destruição involuntária causada pelo fogo".

No local, na segunda-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que o pior tinha sido evitado e prometeu que a catedral do século XII será reconstruída.

A tragédia de Notre-Dame gerou mensagens de pesar e de solidariedade de chefes de Estado e de Governo de vários países, incluindo Portugal, bem como do Vaticano e da Organização das Nações Unidas.