Religião

Arcebispo de Bangui teme "um verdadeiro genocídio"

Arcebispo de Bangui teme "um verdadeiro genocídio"

O arcebispo de Bangui, Dieudonnè Nzapalainga, afirmou, esta quinta-feira, temer que aconteça "um verdadeiro genocídio" na República Centro-Africana.

Em declarações à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), o arcebispo relatou as visitas feitas a algumas localidades, sublinhando ter visto "coisas que fazem pensar num genocídio".

Nzapalainga referia-se nomeadamente ao caso da localidade de Bodango, a 192 quilómetros da capital, em que toda a população é muçulmana.

Na pequena cidade de Bouar, onde os rebeldes das milícias "Séléka" atacaram a população cristã, o arcebispo encontrou "uma parte do bairro que estava totalmente queimada (...) corpos queimados, ossos e cabeças humanas".

Dieudonnè Nzapalainga defendeu o "envio, com muita urgência, de forças militares para a proteção das populações", uma vez que se observa "a generalização dos atos de violência extrema".

O arcebispo de Bangui acrescentou já ter pedido às Nações Unidas o envio de uma força de paz para a República Centro-Africana, pois "os militares no terreno, que incluem unidades francesas e da União Africana, têm-se revelado insuficientes".

"Com quatro mil ou cinco mil soldados é impossível restaurar a paz e, mesmo na capital, Bangui, mostrou-se não ser possível", disse.

O sacerdote receia que se caminhe rapidamente para uma situação de "caos, de anarquia e desordem total".

No meio do caos, resta "quase apenas o trabalho da Igreja e dos missionários em particular", que servem de "pontos de referência" e de "bastiões protetores" para as populações, declarou à AIS.

A República Centro-Africana é palco de violência inter-religiosa desde que o presidente François Bozizé foi afastado do poder, em março do ano passado, por uma coligação predominantemente muçulmana, a "Séléka".

Desde o início da intervenção francesa no país - a operação Sangaris foi lançada em dezembro passado -, as violências entre as milícias cristãs "antibalaka" (antimachete, em língua sago) e a "Séléka" multiplicaram-se, levando a crise do golpe de Estado a uma "crise inter-religiosa", que causou milhares de mortos e centenas de milhares de deslocados.

A missão da União Africana na República Centro-Africana, a Misca, conta com cerca de 5500 homens, que são apoiados pelos 1600 militares franceses da operação Sangaris.