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Artista que pintou Putin vestido de mulher pede asilo político a França

Artista que pintou Putin vestido de mulher pede asilo político a França

O autor do quadro que exibe o Presidente russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro, Dimitri Medvedev, em roupa interior feminina, apreendido na terça-feira pela polícia russa, pediu asilo político às autoridades francesas.

Citado pela agência France Press, o pintor Konstantin Altunin, de 45 anos, afirmou, a partir de Paris, que já requereu asilo político em França, estando a reunir os documentos necessários.

"Na quarta-feira, fui à câmara municipal de Paris (...) e apresentei o meu pedido. Agora preciso aguardar pelo procedimento e trazer uma confirmação por escrito do local onde estou a viver", disse o artista plástico.

Konstantin Altunin afirmou que decidiu sair da Rússia depois de ter sido informado na terça-feira à noite que a polícia tinha encerrado o museu em São Petersburgo onde o quadro estava exposto e detido para interrogatório os organizadores da exposição.

Alertada "por um cidadão que considerou que os quadros expostos infringiam a legislação russa", a polícia russa apreendeu na terça-feira quatro obras de Altunin e decidiu encerrar o pequeno Museu do Poder, recentemente inaugurado em pleno centro da antiga capital imperial russa.

Um dos quadros apreendidos intitula-se "Travestis" e representa Vladimir Putin de 'baby doll' penteando Dmitri Medvedev, que, por sua vez, enverga um soutien.

Outro mostra o deputado Vitali Milonov, autor da polémica lei que penaliza a "propaganda homossexual perante menores", de pé à frente de uma bandeira com as cores do arco-íris, símbolo da homossexualidade.

Um terceiro, que se intitula "O Partido Comunista da União Soviética na Igreja Ortodoxa", exibe o rosto do patriarca russo Kirill tatuado no corpo de um criminoso, ao lado de outra tatuagem com a efígie do líder soviético Estaline.

O artista plástico afirmou hoje que a polícia descreveu a exposição como extremista, temendo possíveis acusações criminais.

"Já afirmaram diretamente que a minha exposição é extremista, é uma acusação muito grave", referiu o pintor.

Konstantin Altunin esperava que as autoridades russas encarassem o seu trabalho com humor, tendo ficado chocado com a reação final.

"Apenas disseram 'não gostamos disto' e selaram as portas e foi só isto. Não acredito que exista tal atraso em qualquer outro país", reforçou o artista plástico.

Altunin explicou ainda que criou o quadro com o Presidente e o primeiro-ministro russos quando os dois políticos anunciaram em 2011 uma troca de cargos, marcando desta forma o regresso de Putin ao Kremlin.

"É uma ironia absolutamente inocente", concluiu.

Na quarta-feira, o porta-voz da polícia precisou que "os especialistas estavam a analisar" as telas apreendidas, sem especificar quais terão sido as leis russas que a exposição terá violado.

O diretor do museu, Alexander Donskoi, disse hoje à France Press que Konstantin Altunin não foi, até ao momento, acusado de qualquer crime.