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As reações à rejeição de acordo no Brexit

As reações à rejeição de acordo no Brexit

Com o chumbo pelo Parlamento britânico do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia, as reações de preocupação surgem de vários pontos da Europa.

Antonio Tajani

O presidente do Parlamento Europeu classificou hoje o chumbo da Câmara dos Comuns ao acordo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE) como uma "má notícia", pedindo "garantias" sobre o futuro dos cidadãos britânicos e europeus.

"O resultado da votação do 'Brexit' é uma má notícia. O nosso primeiro pensamento está com os 3,6 milhões de cidadãos europeus que residem no Reino Unido e de britânicos que vivem na UE", reagiu Antonio Tajani.

Através de uma publicação feita através da rede social Twitter, o responsável vincou que estes cidadãos "precisam de garantias sobre o seu futuro".

E garantiu: "Nós [Parlamento Europeu] vamos sempre lutar por eles".

Augusto Santos Silva

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, lamentou hoje o chumbo pelo parlamento britânico do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia e disse esperar que Londres diga o que tenciona fazer a seguir.

"Em primeiro lugar, lamento o resultado, que impede que o Reino Unido possa aprovar o acordo de saída que a sua equipa negocial acertou com a equipa negocial da UE a 27", disse Santos Silva à agência Lusa.

"E, evidentemente, esperamos que o governo britânico diga quais são as suas intenções o mais brevemente possível, porque cria-se assim um impasse e compete ao governo britânico dizer aos seus parceiros europeus o que tenciona fazer a seguir", acrescentou.

Questionado sobre quais podem ser os passos a dar, o ministro insistiu que "compete aos britânicos dizer o que querem fazer", frisando que "Portugal e os restantes Estados-membros têm mostrado uma enorme flexibilidade e uma enorme disponibilidade" para uma saída com "os menores efeitos negativos" "e ordenada".

Santos Silva reiterou, por outro lado, que Portugal apoiaria um eventual pedido britânico de prorrogação do prazo de negociações ou mesmo uma decisão de voltar atrás na decisão de sair da UE.

António Costa

O primeiro-ministro lamentou hoje a rejeição pelo parlamento britânico do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia e afirmou esperar que, "rapidamente", as autoridades britânicas informem quais os seus próximos passos para evitar uma saída descontrolada.

António Costa falava aos jornalistas num hotel em Lisboa, pouco depois de ser conhecido que o parlamento britânico rejeitara o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia negociado pelo Governo de Theresa May com Bruxelas, por 432 votos contra e apenas 202 a favor.

"Lamento que não tenha sido possível aprovar o acordo que foi longamente negociado entre a União Europeia e o Governo britânico, porque era um bom acordo, já que correspondia às necessidades dos cidadãos britânicos na União Europeia e dos cidadãos da União residentes no Reino Unido. O acordo criava boas condições para uma transição para a saída do Reino Unido, que a União Europeia não deseja, mas que respeita, permitindo tempo para uma negociação calma e serena sobre a relação futura, que todos desejamos que seja o mais próxima possível", declarou o primeiro-ministro.

Jean-Claude Juncker

O presidente da Comissão Europeia lamentou hoje a rejeição do acordo de saída do Reino Unido da UE pelo parlamento britânico, advertindo que "o risco de uma saída desordenada aumentou", pelo que Bruxelas prosseguirá o seu plano de contingência.

"O risco de uma saída desordenada do Reino Unido aumentou com o voto de hoje à noite. Embora não queiramos que tal suceda, a Comissão Europeia vai continuar o seu trabalho de contingência para ajudar a garantir que a UE está completamente preparada", afirmou Jean-Claude Juncker, numa declaração divulgada em Bruxelas.

Apontando que, do lado da União Europeia, "o processo de ratificação do Acordo de Saída continua", Juncker exorta o Reino Unido "a clarificar as suas intenções tão brevemente quanto possível", lembrando que "o tempo está quase a esgotar-se", dado a consumação do 'Brexit' estar agendada para 29 de março próximo.

Udo Bullmann

O líder da bancada parlamentar dos socialistas europeus, Udo Bullmann, defendeu hoje, após a rejeição do parlamento britânico do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE), que "a única solução" é fazer um novo referendo.

"Se nada funciona no parlamento [britânico], só há uma solução: perguntem de novo às pessoas", escreveu Udo Bullmann numa publicação feita na sua conta oficial da rede social Twitter.

Marcelo Rebelo de Sousa

O Presidente da República afirmou hoje esperar que o Reino Unido possa ainda encontrar soluções para uma saída em acordo com a União Europeia e tranquilizou os cidadãos assegurando-lhes que Portugal tudo fará para salvaguardar os seus direitos.

Marcelo Rebelo de Sousa assumiu estas posições numa nota publicada no portal da Presidência da República na internet, na sequência do chumbo pelo parlamento britânico do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia negociado pelo Governo britânico com Bruxelas.

"Esperando ainda que o Reino Unido possa encontrar soluções para uma saída em acordo com a União Europeia, o Presidente da República dirige-se aos compatriotas portugueses residentes no Reino Unido e aos cidadãos britânicos residentes em Portugal, para lhes garantir que, no que dele e das autoridades portuguesas depender, tudo será feito para que os seus direitos e expectativas sejam salvaguardados em ambos os países", lê-se na mensagem.