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As reações à vitória de Guterres na corrida à ONU

As reações à vitória de Guterres na corrida à ONU

O antigo primeiro-ministro português António Guterres foi esta quarta-feira indicado como favorito para secretário-geral da ONU pelo Conselho de Segurança à Assembleia-geral, que deverá aprovar o seu nome dentro de alguns dias.

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já falou com António Guterres e felicitou-o pela eleição no Conselho de Segurança para secretário-geral das Nações Unidas, realçando que foi aprovado o melhor.

"Aqui é o melhor a ser escolhido. E isso é muito bom para o mundo, para as Nações Unidas e para Portugal", vincou o chefe de Estado, à saída de uma visita a uma associação social em Lisboa.

O primeiro-ministro, António Costa, disse que "tudo indica que a pessoa certa" vai estar "no lugar certo". Questionado pelos jornalistas sobre qual a sua reação a esta aprovação, o governante disse: "Como português, [reajo] com um enorme orgulho, e como cidadão do mundo, com uma enorme satisfação, porque tudo indica que vamos ter a pessoa certa no lugar certo".

O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, considerou que António Guterres vai ser "certamente um secretário-geral da ONU à altura da complexidade dos problemas do mundo atual".

"É com enorme satisfação que tomei conhecimento da votação que hoje terminou com a quase certeza que António Guterres será o próximo secretário-geral das Nações Unidas", refere Ferro Rodrigues, numa nota enviada à agência Lusa. O presidente da Assembleia da República adianta que já telefonou a António Guterres para o felicitar, confessando a sua "comoção por este sucesso de um dos melhores de todos nós" e a emoção que sentiu quando falou com o antigo primeiro-ministro português.

"É uma boa notícia, uma notícia que nos deve alegrar", vincou a coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins, questionada em Lisboa, num comício do Bloco a propósito do 5 de Outubro. E prosseguiu: "É uma boa notícia desde logo para as Nações Unidas, que conseguiram mostrar que são imunes a manobras mais ou menos estranhas", disse, numa alusão à candidatura da búlgara Kristalina Georgieva, surgida à última hora.

O PCP, pela voz de Ângelo Alves, considerou que foi dado "um passo importante e quase decisivo" para a eleição de António Guterres como secretário-geral da ONU e defendeu ser necessário contrariar a "linha de instrumentalização" das Nações Unidas que tem sido seguida.

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, definiu a eleição de António Guterres como uma vitória pessoal e da diplomacia portuguesa que "honra muito Portugal". "É em primeiro lugar uma vitória dele, pelo seu mérito, pelo seu percurso, pelo trabalho que desenvolveu também na preparação desta candidatura e que a todos também impressionou", considerou, mas "também para a diplomacia portuguesa que se empenhou e também terá feito certamente a diferença".

O ex-presidente da República Cavaco Silva felicitou António Guterres, fazendo votos para que "a sua sensatez e o respeito que a sua voz inspira no mundo possam fazer a diferença". Numa mensagem enviada à Lusa, Cavaco diz estar certo de que Guterres "muito prestigiará Portugal no exercício das suas novas funções".

O ex-presidente português Jorge Sampaio destacou que, com a vitória de António Guterres "triunfou uma forma participada, contra "manobras de última hora", referindo-se à candidatura de Kristalina Georgieva, apoiada por Bulgária e Alemanha. O resultado provou que tal "manobra" era "contra o sentimento geral" e impôs um "processo participado", frisou Jorge Sampaio, ex-enviado especial da ONU e que preside atualmente à Plataforma Global de Assistência Académica de Emergência a Estudantes Sírios.

A eurodeputada socialista Ana Gomes considera que António Guterres será "um grande secretário-geral" das Nações Unidas, com o perfil que a organização e o Mundo precisam, e lamentou o "oportunismo" da candidatura da comissária europeia Kristalina Georgieva. É "uma boa notícia para o mundo", disse.

A adversária de António Guterres ao cargo de secretário-geral da ONU, a búlgara Kristalina Georgieva, já felicitou o antigo primeiro-ministro português. "Parabéns a António Guterres - o futuro secretário-geral! Boa sorte em continuar uma agenda ambiciosa para a ONU", escreveu Kristalina Georgieva no Twitter.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, felicitou através das redes sociais António Guterres pela sua indicação como favorito para o cargo de secretário-geral da ONU, afirmando que o candidato português é um "homem de visão".

"Felicito António Guterres. Um bom amigo, um homem de visão, coração e ação", escreveu a Alta Representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, a italiana Federica Mogherini, na rede social Twitter.

O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, já felicitou António Guterres pela sua eleição para a liderança das Nações Unidas, que considera "um orgulho para Europa". Na sua conta na rede social Twitter, o socialista alemão escreveu: "Será um sensacional secretário-geral das Nações Unidas. Um orgulho para a Europa".

"Parabéns António Guterres! Parabéns Portugal!"

O antigo presidente de Timor-Leste e Nobel da Paz António Ramos-Horta aplaudiu "a sábia decisão de todos" na indicação de António Guterres como favorito para secretário-geral das Nações Unidas. "Parabéns António Guterres! Parabéns Portugal! Parabéns Conselho de Segurança! Parabéns ONU! Sabia decisão de todos!", considerou o antigo dirigente timorense numa reação por escrito enviada à agência Lusa.

Cerca de 750 organizações não governamentais (ONG) de todo o mundo, reunidas na campanha "1 for 7 Billion", acreditam que a indicação de António Guterres constitui uma vitória da transparência do processo. "O anúncio de hoje é um testamento do impacto do processo mais aberto e inclusivo pelo qual o '1 for 7 Billion' fez campanha. Guterres não era visto como um favorito no início da corrida, era dito que tinha o género e a origem regional errada", disse à Lusa a cofundadora Natalie Samarasinghe.

"Foi amplamente considerado que [Guterres] esteve muito bem no diálogo com a Assembleia Geral e noutros eventos, com muitas pessoas a comentarem a sua experiência e capacidade de inspirar", sublinhou.

O diretor para a ONU na "Human Rights Watch" defendeu que António Guterres tem "o potencial de garantir uma mudança significativa na abordagem dos direitos humanos". Numa reação enviada à Lusa por correio eletrónico, Louis Charbonneau escreveu que, "com António Guterres, o Conselho de Segurança optou por um defensor dos refugiados com o potencial de garantir uma mudança significativa na abordagem dos direitos humanos num momento de grandes desafios".

O embaixador de Israel nas Nações Unidas manifestou esperança de que António Guterres consiga parar com "a obsessão contra Israel" na organização. "O Estado de Israel espera que as Nações Unidas, sob a sua liderança, atuem no espírito dos seus princípios fundadores como uma organização justa, capaz de distinguir o bem e o mal e de pôr fim à sua obsessão com Israel", disse Danny Danon, citado pelo jornal "Jerusalem Post".

O ministro das Relações Exteriores de Angola, Georges Chikoti, afirmou, em declarações à Lusa, que a eleição de António Guterres é "muito importante" para África e em particular para a lusofonia. "Esta eleição é muito importante para África, para a CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] para Angola e para a comunidade internacional em geral. O engenheiro Guterres tem sido um lutador incansável pelas causas importantes da comunidade internacional, em particular dos refugiados", disse o chefe da diplomacia angolana.

O ex-primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, felicitou hoje António Guterres pela "brilhante vitória" na corrida para o cargo de secretário-geral das Nações Unidas, sublinhando ainda que foi uma "realização histórica" para Portugal. Numa publicação na sua página pessoal na rede social Facebook, José Maria Neves afirmou-se "radiante".

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Baciro Djá, classificou como "uma grande vitória" a eleição de António Guterres como secretário-geral das Nações Unidas. "Era expectável, é uma grande vitória para a comunidade internacional, para Portugal e para os países de língua oficial portuguesa, tratando-se de um cidadão da nossa comunidade", referiu o líder do governo guineense, em Bissau, à margem de uma reunião do Conselho de Ministros.

O presidente do Governo Regional dos Açores afirmou que é "motivo de muita satisfação e de grande orgulho" a aprovação pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas do ex-primeiro-ministro António Guterres para secretário-geral desta organização. "A confirmarem-se todas essas notícias, que são muito recentes, é naturalmente um motivo de muita satisfação e de grande orgulho para todos os portugueses, acredito, o facto de ter sido ultrapassado, com sucesso, mais este passo e passo decisivo nesta caminhada para a eleição do engenheiro António Guterres como secretário-geral das Nações Unidas", afirmou Vasco Cordeiro, também líder do PS/Açores.

A Universidade de Coimbra, que agraciou António Guterres com o Doutoramento Honoris Causa a 22 de maio, anunciou "a sua imensa satisfação pelo sucesso da candidatura" do português, "acreditando que se irá iniciar uma nova era na cooperação internacional, na defesa do humanismo e da solidariedade entre os povos e concertação entre nações, protagonizada pela sua liderança".

Também o Benfica considerou, numa nota no seu site, que é "um enorme prestígio para o país" e "uma excelente notícia para o mundo" a indicação, pelo Conselho de Segurança da ONU, de António Guterres para secretário-geral das Nações Unidas.

O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, assumiu-se orgulhoso pela indicação de António Guterres, pelo Conselho de Segurança da ONU, para secretário-geral das Nações Unidas, a quem desejou felicidades.

"O engenheiro António Guterres vai amanhã [quinta-feira] ser confirmado como futuro secretário-geral das Nações Unidas. Como português não posso deixar de manifestar o meu orgulho por ver um compatriota ser eleito para o mais relevante e importante cargo à escala internacional", começou por escrever o presidente 'leonino' na sua página oficial na rede social Facebook.

O bispo emérito das Forças Armadas, Januário Torgal Ferreira, manifestou-se "muito feliz" pela escolha do antigo primeiro-ministro português António Guterres, "um defensor dos pobres", para secretário-geral da ONU.

António Guterres "ganhou com inteligência, clarividência e sentido raro de justiça e solidariedade na defesa dos mais pobres e abandonados", sublinhou Torgal Ferreira, em declarações à agência Lusa.

Este "foi um dia muito feliz, em que os pobres tem um defensor" na ONU, disse o bispo emérito das Forças Armadas.

A ex-presidente do PS e antiga ministra Maria de Belém declarou que a escolha de António Guterres para liderar as Nações Unidas, "foi uma vitória individual e uma vitória coletiva" do país.

"Foi simultaneamente uma vitória individual e uma vitória coletiva, para o país, e para a diplomacia portuguesa", disse a antiga ministra da Saúde e da Igualdade em Governos liderados por António Guterres.

Acrescentou ainda, sobre o aval dado hoje pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas à candidatura de Guterres a secretário-geral da organização, que Portugal sai "muito reforçado por ter um candidato daquele nível, àquele lugar".