Espanha

Assassina de Gabriel escreve cartas a partir da prisão

Assassina de Gabriel escreve cartas a partir da prisão

Gabriel tinha oito anos quando foi assassinado pela noiva do pai. Ana Julia, detida a aguardar julgamento, confessou o crime. Agora escreve cartas na cela.

As cartas, entregues à jornalista espanhola Ana Rosa Quintela, do canal televisivo Telecinco, são dirigidas aos pais de Gabriel e às autoridades espanholas. São dirigidas "a todos", escreve.

Ana Julia pede desculpa, novamente, e diz estar ciente da gravidade do que fez. Contudo, nega qualquer premeditação e garante que foi um acidente. "Tenho muito que contar e quando puder explicarei" - lê-se.

"Tirei à pessoa que mais amo o melhor que alguém pode ter: um filho" - escreveu na carta que dirige a Patrícia Ramírez e Angel Cruz, os pais.

Às autoridades espanholas diz estar a ser vítima de racismo. "Imagens impressionantes as que vi hoje. Uma boneca de plástico preta que queimaram como se fosse eu. Enquanto escrevo esta carta, tenho as mãos a tremer. Quando há pessoas de cor branca a cometer este tipo de crimes, nunca há tanta barbaridade".

Gabriel desapareceu a 27 de fevereiro em Las Hortichuelas, Nijar, Almeria, sem deixar rasto. Foi visto pela última vez a sair da casa da avó paterna em direção à casa de um primo, a cerca de 100 metros.

O desaparecimento levou os pais, Angel Cruz e Patricia Ramirez, a fazerem apelos públicos para o conseguirem encontrar. A única pista que havia do menino era uma camisola interior encontrada pela noiva do pai, Ana Julia, durante buscas no bairro, quatro dias depois.

Ana Julia foi apanhada em flagrante a transportar o corpo de Gabriel Cruz e é agora a principal suspeita do sequestro e homicídio do rapaz.

Depois de ter sido detida, o passado da mulher começou a ser investigado pelas autoridades. Segundo o jornal "El Espanyol", a filha de Ana Julia morreu, em 1996, ao cair de uma varanda. O caso, que na altura foi tratado como morte acidental e que estava arquivado há anos, está novamente sob investigação da polícia.

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