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Autor de massacre era vítima de bullying. Mãe diz que filho "tinha tudo"

Autor de massacre era vítima de bullying. Mãe diz que filho "tinha tudo"

Guilherme Taucci Monteiro abandonou a escola Estadual Raul Brasil, no ano passado, por ser alvo de bullying devido ao acne, explicou a mãe do jovem de 17 anos que, quarta-feira, foi um dos autores do ataque que deixou dez pessoas mortas, em São Paulo.

Caracterizado como um rapaz triste, depressivo, com problemas familiares e viciado em videojogos, Guilherme Taucci Monteiro matou dez pessoas e deixou onze feridos na sequência de um ataque em Suzano, na manhã de quarta-feira. A mãe do jovem, Tatiana Taucci, não se conforma nem compreende o ato do filho. "Ele tinha internet, TV por cabo, tinha tudo, e o bobão faz isso?".

"Cheguei à escola a gritar que tinham magoado o meu filho. Quando me contaram o que aconteceu o meu mundo caiu", relatou Tatiana Taucci.

Afastado do pai e da mãe, toxicodependente e com mais quatro filhos, Guilherme Taucci Monteiro foi criado pelo avô e pela avó, que faleceu recentemente, segundo a Folha de São Paulo.

A família afirma não terem existido indícios de comportamentos violentos, mas confessam que Guilherme vivia deprimido. Passava os dias fechado no quarto, a dormir num beliche ou a jogar videojogos. Um vizinho ouvido pelos meios de comunicação brasileiros descreveu os assassinos como normais e pacíficos. "Nunca percebi nenhum traço que indicasse que esse tipo de comportamento poderia ocorrer. Estamos todos em choque. Não usavam drogas. Diziam bom dia, boa tarde, boa noite".

Pacto de suicídio

Guilherme Taucci Monteiro e o outro atirador, Luiz Henrique de Castro, jogavam regularmente em cafés de videojogos e em torneios. Eram conhecidos por reagir violentamente a derrotas em jogos de tiro.

A investigação aponta que, após matarem oito pessoas, os assassinos cumpriram o plano traçado, segundo o G1. O atirador mais novo, Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, disparou sobre o mais velho, Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, e suicidou-se de seguida.

As autoridades recolheram provas em casa de ambos os atiradores que apontam para o facto de nos últimos dias terem pesquisado sobre massacres ocorridos em escolas dos Estados Unidos da América.

Além disso, foi encontrado um caderno, dentro do carro usado para o ataque, que continha desenhos de armas e táticas de jogos de combate, que deviam cumprir. "Depois disso pode mandar o seu exército atacar, é um exército meio fraco, mas se fizer rápido o inimigo não vai ter tempo de fazer muitas defesas", lê-se.

Não é a primeira vez que o Brasil assiste a um tiroteio dentro da escola levado a cabo por jovens. O jornal "A Folha de São Paulo" recorda uma série de ataques, como os de 2002, quando um jovem de 17 anos matou duas colegas na escola particular de Sigma.

O caso mais recente remonta a outubro de 2017, quando um adolescente de 14 anos matou duas pessoas e feriu quatro.