Manifestação

Aviso de Pequim não demove protestos em Hong Kong, diz ativista

Aviso de Pequim não demove protestos em Hong Kong, diz ativista

Bonnie Leung, porta-voz da organização que tem liderado as manifestações em Hong Kong, garantiu esta segunda-feira que o aviso de Pequim para que a ordem seja restabelecida não demoveu os ativistas, que vão continuar a encher as ruas.

"Claro que vamos continuar. As nossas exigências ainda não foram atendidas e a polícia continua, a cada protesto, a ganhar força", disse à Lusa Bonnie Leung, em reação à conferência de imprensa do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado chinês.

Esta manhã, no primeiro encontro com a imprensa desde a transferência de soberania do Reino Unido para a China, em 1997, o Gabinete advertiu que os manifestantes "excederam os limites aceitáveis", reforçando o apoio de Pequim à polícia e ao Governo do território.

Há quase dois meses a encherem as ruas da cidade, os manifestantes exigem cinco reivindicações: a retirada definitiva da proposta de lei da extradição; a libertação dos manifestantes detidos; que os protestos de 12 de junho e 1 de julho não sejam identificados como motins; um inquérito independente à violência policial e a demissão da chefe do Executivo, Carrie Lam.

No encontro de hoje, o Gabinete acusou também alguns políticos ocidentais de encorajarem distúrbios em Hong Kong para criar obstáculos ao desenvolvimento da China.

Para a vice-coordenadora da Frente Civil de Direitos Humanos, a mensagem já não é nova e, no caso de Hong Kong, um importante centro financeiro mundial, perde qualquer valor.

"Sempre que outro Governo diz algo que Pequim não gosta de ouvir, o argumento é o mesmo: potências estrangeiras malvadas que tentam intervir nos assuntos internos", ironizou.

"Hong Kong é uma cidade internacional, muita gente vive aqui e investe muito dinheiro. Essas pessoas têm o direito de comentar, especialmente quando se trata da segurança dos expatriados", sustentou a ativista.

Para Leung, o abuso policial é perigoso não só para os manifestantes, como também para os estrangeiros a viver na cidade e os turistas, por isso, a Frente Civil de Direitos Humanos vai continuar a chamar a atenção da comunidade internacional.

"Ao darmos conta do que se passa aos outros países, estamos a fazer a coisa mais responsável possível", defendeu.

No domingo à noite, manifestantes e a polícia entraram em confronto pelo segundo dia consecutivo, protagonizando das cenas mais violentas observadas até à data no território.

A contestação nas ruas foi iniciada contra uma proposta de lei que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial chinesa a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e denunciam agora aquilo que os manifestantes afirmam ser uma "erosão das liberdades" na antiga colónia britânica.

A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas", precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.

Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.